O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO III - CAP. II - SACRIFÍCIOS 305

píritos estavam então envolvidos por um véu material. Mas pelo livre arbítrio eles poderiam ter uma percepção de sua origem e de seu fim, e muitos compreendiam já, por intuição, o mal que faziam, embora não o fizessem menos para satisfazerem suas paixões.

671 – Que devemos pensar das guerras santas? O sentimento que leva os povos fanáticos a exterminarem, o mais possível para serem agradáveis a Deus, aqueles que não compartilham de suas crenças, pareceria ter a mesma origem que aquele que os excitava outrora ao sacrifício dos seus semelhantes?

– Eles estão possuídos pelos maus Espíritos, e guerreando com seus semelhantes vão contra a vontade de Deus que disse que se deve amar seu irmão como a si mesmos. Todas as religiões, ou antes todos os povos, adoram um mesmo Deus, tenha ele um nome ou tenha outro; como provocar uma guerra de extermínio porque a religião de um é diferente ou não alcançou ainda o progresso dos povos esclarecidos? Os povos são excusáveis de não crerem na palavra daquele que estava animado pelo Espírito de Deus e enviado por ele, sobretudo quando não viram e não testemunharam seus atos; como quereis que eles creiam nessa palavra de paz quando ides dá-la de espada em punho? Eles devem se esclarecer e devemos procurar fazer-lhes conhecer sua doutrina pela persuasão e pela doçura, e não pela força e pelo sangue. Na maioria das vezes, não acreditais nas comunicaçòes que temos com certos mortais; por que quereríeis que estranhos cressem em vossa palavra quando vossos atos desmentem a doutrina que pregais?

672 – A oferenda que se faz a Deus de frutos da terra tem mais mérito aos seus olhos que o sacrifício de animais?

– Eu já vos respondi dizendo que Deus julgava a intenção e que o fato tinha pouca importância para ele. Seria, evidentemente, mais agradável a Deus ver oferecer os frutos da terra que o sangue das vítimas. Como já vo-lo dissemos, e o repetimos sempre, a prece dita do fundo do coração é cem vezes mais agradável a Deus que todas as oferendas que poderíeis fazer-lhe. Repito que a intenção é tudo e o fato nada.

673 – Não seria um meio de tornar essas oferendas mais agradáveis a Deus consagrando-as ao alívio daqueles a quem