O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO III - CAP. III - LEI DO TRABALHO 308

sidade e que o eleva acima de si mesmo. Quando digo que o trabalho dos animais é limitado ao cuidado de sua conservação, entendo o fim a que se propõem trabalhando; mas eles são, inconscientemente, e tudo provendo suas necessidades materiais, agentes que secundam os  desígnios do Criador, e seu trabalho não concorre menos ao objetivo final da Natureza, se bem que, muito freqüentemente, não descobris o resultado imediato.

678 – Nos mundos mais aperfeiçoados, o homem está submetido à mesma necessidade do trabalho?

– A natureza do trabalho é relativa à natureza das necessidades. Quanto menos as necessidades são materiais, menos o trabalho é material. Mas não creiais, com isso, que o homem fica inativo e inútil: a ociosidade seria um suplício em lugar de ser um benefício.

679 – O homem que possui bens suficientes para assegurar sua existência, está isento da lei do trabalho?

– Do trabalho material, talvez, mas não da obrigação de se tornar útil segundo suas possibilidades, de aperfeiçoar sua inteligência ou a dos outros, o que é também um trabalho. Se o homem a quem Deus distribuiu bens suficientes para assegurar a sua existência não está forçado a se sustentar com o suor de sua fronte, a obrigação de ser útil aos seus semelhantes é tanto maior para ele quanto o seu adiantamento lhe dá mais oportunidade para fazer o bem.

680 – Não há homens que são incapazes para o trabalho, qualquer que seja, e cuja existência é inútil?

– Deus é justo e não condena senão aquele cuja existência é voluntariamente inútil e vive na dependência do trabalho dos outros. Ele quer que cada um se torne útil, segundo suas faculdades. (643)

681 – A lei natural impõe aos filhos a obrigação de trabalhar por seus pais?

– Certamente, como os pais devem trabalhar por seus filhos e é por isso que Deus fez do amor filial e do amor paternal um sentimento natural, a fim de que, por essa afeição recíproca, os membros de uma mesma família fossem levados a se entreajudarem mutuamente, o que é, muito freqüentemente, desconhecido na vossa sociedade atual. (205)