O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO III - CAP. IV - LEI DA REPRODUÇÃO 313

697 – A indissolubilidade absoluta do casamento está na lei natural ou somente na lei humana?

– É uma lei humana muito contrária à lei natural. Mas os homens podem mudar suas leis: só as da Natureza são imutáveis.

698 – O celibato voluntário é um estado de perfeição meritório aos olhos de Deus?

– Não, e os que vivem assim por egoísmo, desagradam a Deus e enganam a todo mundo.

699 – O celibato não é, da parte de certas pessoas, um sacrifício com o objetivo de se devotar mais inteiramente ao serviço da Humanidade?

– Isso é bem diferente. Eu disse: por egoísmo. Todo sacrifício pessoal é meritório, quando é para o bem; quanto maior o sacrifício, maior o mérito.

Deus não pode se  contradizer,  nem achar mau o que fez; não pode ver mérito na violação de sua lei. Mas se o celibato, por si mesmo, não é um estado meritório, o mesmo não ocorre quando constitui, pela renúncia às  alegrias  da  família, um sacrifício feito em proveito da Humanidade. Todo sacrifício pessoal com objetivo do bem, e sem dissimulação do egoísmo, eleva o homem acima de sua condição material.

POLIGAMIA.

700 – A igualdade numérica que, mais ou menos, existe entre os sexos, é um índice de proporção segundo o qual eles devem estar unidos?

– Sim, porque tudo tem um fim na Natureza.

701 – Qual das duas, a poligamia ou a monogamia, está mais conforme com a lei natural?

– A poligamia é uma lei humana, cuja abolição marca um progresso social. O casamento, segundo os objetivos de Deus, deve ser fundado sobre a afeição dos seres que se unem. Com a poligamia não há afeição real, mas sensualidade.

Se a poligamia fosse segundo a lei  natural,  ela deveria poder ser universal, o que seria  materialmente impossível, visto a igualdade numérica dos sexos.

A poligamia deve ser considerada como um uso ou uma legislação particular, apropriada a certos meios, e que o aperfeiçoamento social faz, pouco a pouco, desaparecer.