O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO III - CAP. V - LEI DE CONSERVAÇÃO 318

716 – A Natureza não traçou o limite das nossas necessidades em nossa organização?

– Sim, mas o homem é insaciável. A Natureza traçou o limite de suas necessidades em sua organização, mas os vícios alteraram sua constituição e ele criou para si necessidades que não são reais.

717 – Que pensar daqueles que monopolizam os bens da terra para se obter o supérfluo em prejuízo daqueles a quem falta o necessário?

– Eles desconhecem a lei de Deus e responderão pelas privações que terão feito experimentar.

O limite do necessário e do supérfluo nada tem de absoluto. A civilização criou necessidades que a selvageria não tem, e os Espíritos que ditaram esses preceitos não pretendem que o homem civilizado deva viver como  o  selvagem. Tudo  é relativo  e cabe à razão distinguir cada coisa. A civilização desenvolve o senso moral e, ao mesmo tempo, o sentimento de caridade  que leva os homens a se prestarem mútuo apoio. Os que vivem às custas das privações alheias exploram os benefícios  da  civilização em seu proveito; não têm da civilização senão o verniz,  como há pessoas que não têm da religião senão a máscara.

PRIVAÇÕES VOLUNTÁRIAS. MORTIFICAÇÕES.

718 – A lei de conservação obriga a prover as necessidades do corpo?

– Sim, sem a força e a saúde o trabalho é impossível.

719 – É repreensível ao homem procurar o bem-estar?

– O bem-estar é um desejo natural. Deus não proíbe senão o abuso, porque o abuso é contrário à conservação. Ele não incrimina a procura do bem-estar, se esse bem-estar não é adquirido às custas de ninguém, e se não deve enfraquecer, nem vossas forças morais, nem vossas forças físicas.

720 – As privações voluntárias, em vista de uma expiação igualmente voluntária, têm algum mérito aos olhos de Deus?

– Fazei o bem aos outros e merecereis mais.

– Há privações voluntárias que sejam meritórias?

– Sim, a privação dos prazeres inúteis, porque ela desliga o homem da matéria e eleva sua alma. O que é meritório é resistir à tentação que solicita aos excessos ou ao gozo das