O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO III - CAP. V - LEI DE CONSERVAÇÃO 319

coisas inúteis, e tirar do seu necessário para dar àqueles que não têm bastante. Se a privação não é mais o que um vão simulacro, ela é uma zombaria.

721 – A vida de mortificação ascética foi praticada em toda a antiguidade e entre diferentes povos; ela é meritória sob um ponto de vista qualquer?

– Perguntai a  quem ela serve e tereis a resposta. Se não serve senão àquele que a pratica e o impede de fazer o bem, é do egoísmo, qualquer que seja o pretexto com o qual se disfarce. Privar-se e trabalhar para os outros é a verdadeira mortificação, segundo a caridade cristã.

722 – A abstenção de certos alimentos, prescrita entre diversos povos, é fundada na razão?

– Tudo aquilo com o qual homem pode se nutrir, sem prejuízo de sua saúde, é permitido. Mas os legisladores puderam interditar certos alimentos com um fim útil e, para dar mais crédito às suas leis, eles as apresentaram como vindas de Deus.

723 – A alimentação animal, entre os homens, é contrária à lei natural?

– Na vossa constituição física a carne nutre a carne, de outra maneira o homem enfraquece. A lei de conservação dá ao homem um dever de entreter suas forças e sua saúde para cumprir a lei do trabalho. Ele deve, pois, se alimentar, segundo o exige a sua organização.

724 – A abstenção de alimento animal, ou outro, como expiação, é meritória?

– Sim, se se priva pelo outros. Mas Deus não pode ver uma mortificação quando não há nela privação séria e útil. Por isso, dissemos que aqueles que se privam só na aparência, são hipócritas. (720)

725 – Que pensar das mutilações operadas sobre o corpo do homem ou dos animais?

– Para  que  semelhante  questão?  Perguntai, portanto, ainda uma vez, se uma coisa é útil. O que é inútil não pode ser agradável a Deus, e o que é nocivo lhe é sempre desagradável, porque, sabei bem, Deus não é sensível senão