O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO III - CAP. VI - LEI DE DESTRUIÇÃO 323

– Predominância da bestialidade sobre a natureza espiritual. Toda destruição que ultrapasse os limites da necessidade, é uma violação da lei de Deus. Os animais não destroem senão por suas necessidades; mas o homem, que tem o livre arbítrio, destrói sem necessidade. Ele prestará contas do abuso da liberdade que lhe foi concedida, porque é aos maus instintos que ele cede.

736 – Os povos que possuem em excesso o escrúpulo relativo à destruição dos animais têm um mérito particular?

– É um excesso num sentimento louvável por si mesmo, mas que se torna abusivo e cujo mérito é neutralizado pelo abuso de bens de outras espécies. Há entre eles mais de medo supersticioso do que verdadeira bondade.

FLAGELOS DESTRUIDORES.

737 – Com que objetivo Deus atinge a Humanidade por meio de flagelos destruidores?

– Para fazê-la avançar mais depressa. Não vos dissemos que a destruição é necessária para a regeneração moral dos Espíritos, que adquirem, a cada nova existência, um novo grau de perfeição? É preciso ver o fim para lhe apreciar os resultados. Não os julgais senão sob o vosso ponto de vista pessoal e os chamais de flagelos por causa do prejuízo que vos ocasionam. Mas esses transtornos são, freqüentemente, necessários para fazer alcançar, mais prontamente, uma ordem melhor de coisas, e em alguns anos, o que exigiria séculos. (744)

738 – Deus não poderia empregar, para o aprimoramento da Humanidade, outros meios senão os flagelos destruidores?

– Sim, e o emprega todos os dias, visto que deu a cada um os meios de progredir pelo conhecimento do bem e do mal. É que o homem não aproveita; é preciso castigá-lo em seu orgulho e fazê-lo sentir sua fraqueza.

– Mas nesses flagelos, o homem de bem sucumbe como o perverso; isso é justo?

– Durante a vida, o homem relaciona tudo com o seu corpo, mas, depois da morte, ele pensa de outra forma e, como já  dissemos: a  vida do corpo é  pouca  coisa.  Um  século  do vosso mundo é um  relâmpago  na  eternidade. Por-