O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO III - CAP. VI - LEI DE DESTRUIÇÃO 330

– Necessidade não é a palavra. O homem crê sempre uma coisa necessária quando ele não encontra nada melhor. À medida que se esclarece, compreende melhor o que é justo ou injusto e repudia os excessos cometidos, nos tempos de ignorância, em nome da justiça.

763  –  A  restrição dos casos em que se aplica a pena de morte é um índice de progresso na civilização?

– Podes duvidar? Teu Espírito não se revolta lendo a narrativa das carnificinas humanas que se faziam outrora em nome da justiça e, freqüentemente, em  honra  da  Divindade? Das torturas que se fazia o condenado suportar, e mesmo o acusado para lhe arrancar, pelo excesso de sofrimento, a confissão de um crime que, freqüentemente, ele não cometera? Pois bem! se tivesses vivido nessas  épocas, terias achado tudo isso natural e talvez tu, juiz, terias feito o mesmo. É assim que aquilo que parece justo em uma época, parecerá bárbaro em uma outra. Só as leis divinas são eternas; as leis humanas mudam com o progresso. Elas mudarão ainda, até que sejam postas em harmonia com as leis divinas.

764 – Jesus disse: Quem matou  pela  espada, perecerá  pela  espada.  Essas  palavras  não  são  a  consagração da pena de talião? A morte infligida ao homicida não é a aplicação dessa pena?

– Tomai cuidado!   tendes   vos  enganado  sobre essa palavra, como sobre muitas outras. A pena de talião é a justiça  de  Deus  e  é  ele  que a  aplica.  Todos   vós  suportais, a cada instante, essa pena, porque  sois  punidos  pelo que pecastes, nesta vida ou em uma outra. Aquele que fez sofrer seus semelhantes, estará numa posição em que sofrerá, ele mesmo,  o  sofrimento  que  causou. É o  sentido das palavras  de  Jesus;  mas  vos disse também: Perdoai aos vossos inimigos e vos ensinou a pedir a Deus perdoar as vossas ofensas, como vós mesmos tiverdes perdoado;  quer dizer, na mesma proporção que tiverdes perdoado: compreendei-o bem.

765 – Que pensar da pena de morte infligida em nome de Deus?