O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO III - CAP. VII - LEI DE SOCIEDADE 333

contram uma satisfação em se embriagar; tu os aprovas? Deus não pode ter por agradável uma vida pela qual se condena a não ser útil a ninguém.

770 – Que pensar dos homens que vivem na reclusão absoluta para fugir ao contato do mundo?

– Duplo egoísmo.

– Mas se esse retiro tem por objetivo um expiação, impondo-se uma privação penosa, não é ele meritório?

– Fazer mais de bem do que se faz de mal, é a melhor expiação. Evitando um mal ele cai em outro, visto que esquece a lei de amor e de caridade.

771 – Que pensar daqueles que fogem do mundo para se votar ao alívio dos sofredores?

– Estes se elevam, rebaixando-se. Eles têm o duplo mérito de se colocar acima dos prazeres materiais e de fazer o bem para que se cumpra a lei do trabalho.

– E aqueles que procuram, no retiro, a tranqüilidade que reclamam certos trabalhos?

– Isso não é o retiro absoluto do egoísta. Eles não se isolam da sociedade, visto que trabalham por ela.

772 – Que pensar do voto de silêncio prescrito por certas seitas, desde a mais alta antiguidade?

– Perguntais antes se a palavra está na Natureza e porque Deus a deu. Deus condena o abuso e não o uso das faculdades que concedeu. Entretanto, o silêncio é útil porque, no silêncio, te concentras, e teu espírito torna-se mais livre e pode, então, entrar em comunicação conosco. Mas, o voto de silêncio é uma tolice. Sem dúvida, os que olham suas privações voluntárias como atos de virtude, têm uma boa intenção; mas eles se enganam, porque não compreendem suficientemente as verdadeiras leis de Deus.

O voto de silêncio absoluto, da mesma forma que o voto de isolamento, priva o homem  das  relações  sociais que podem lhe fornecer as ocasiões de fazer o bem e de cumprir a lei do progresso.

LAÇOS DE FAMÍLIA.

773 – Por que, entre os animais, os pais e os  filhos não