O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO III - CAP. IX - LEI DE IGUALDADE 349

desfeita pela força das coisas. Combatei o egoísmo, que é a vossa praga social, e não procureis quimeras.

812 – Se a igualdade das riquezas não é possível, ocorre o mesmo com o bem-estar?

– Não, mas o bem-estar é relativo e seria possível a cada um, um dia, se todos o entendessem bem... porque o verdadeiro bem-estar consiste no emprego do tempo de acordo com a vontade, e não em trabalhos para os quais não se sente nenhum gosto. Como cada um tem aptidões diferentes, nenhum trabalho útil ficaria por fazer. O equilíbrio existe em tudo, é o homem quem quer alterá-lo.

– É possível os homens se entenderem?

– Os homens se entenderão, quando praticarem a lei de justiça.

813 – Há pessoas que caem na privação e na miséria por sua culpa; a sociedade não pode ser responsável por isso?

– Sim. Já o dissemos: ela é, freqüentemente, a causa primeira desses erros. Aliás, não lhe cabe velar pela sua educação moral? Freqüentemente, é a má educação que falseia seu julgamento em lugar de sufocar-lhes as tendências perniciosas. (685)

PROVAS DA RIQUEZA E DA MISÉRIA.

814 – Por que Deus deu a uns as riquezas e o poder, e a outros a miséria?

– Para provar, cada um, de maneira diferente. Aliás, sabeis que os próprios Espíritos escolheram essa prova e, freqüentemente, nela sucumbem.

815 – Qual das duas provas é a mais terrível para o homem, a da infelicidade ou a da fortuna?

– Tanto uma quanto outra o são. A miséria provoca o murmúrio ( * ) contra a Providência, e a riqueza leva a todos os excessos.

816 – Se o rico sofre mais tentações não dispõe, também, de maiores meios para fazer o bem?


( * ) Murmure, no original: queixas ou lamentações. (N. do T.)