O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO III - CAP. IX - LEI DE IGUALDADE 351

delicadeza das funções maternais e a fraqueza dos seres confiados aos seus cuidados.

821 – As funções para as quais a mulher está destinada pela Natureza têm uma importância tão grande quanto às do homem?

– Sim, e maiores; é ela quem lhe dá as primeiras noções da vida.

822 – Os homens, sendo iguais diante da lei de Deus, devem sê-lo, igualmente, diante da lei dos homens?

– É o primeiro princípio de justiça: Não façais aos outros o que não quereríeis que se vos fizessem.

– Segundo isso, uma legislação, para ser perfeitamente justa, deve consagrar a igualdade dos direitos entre o homem e a mulher?

– De direitos, sim; de funções, não. É preciso que cada um esteja colocado no seu lugar. Que o homem se ocupe do exterior e a mulher do interior, cada um segundo sua aptidão. A lei humana, para ser equitativa, deve consagrar a igualdade dos direitos entre o homem e a mulher, pois todo privilégio concedido a um, ou a outro, é contrário à justiça. A emancipação da mulher segue o progresso da civilização, sua subjugação caminha com a barbárie. Os sexos, aliás, não existem senão pela organização física, visto que os Espíritos podem tomar um e outro, não havendo diferença entre eles, sob esse aspecto, e, por conseguinte, devem gozar dos mesmos direitos.

IGUALDADE DIANTE DO TÚMULO.

823 – De onde vem o desejo de se perpetuar a memória pelos monumentos fúnebres?

– Último ato de orgulho.

– Mas a suntuosidade dos monumentos fúnebres, freqüentemente, não é determinada  pelos parentes que desejam honrar a memória do falecido e não pelo próprio falecido?

– Orgulho  dos  parentes  que  querem  se  glorificar  a si mesmos. Oh! Sim, não é sempre pelo morto que se fazem todas essas demonstrações: é por amor-próprio e pelo mundo, e para ostentar sua riqueza. Crês que a lembrança de um ser querido seja menos durável no coração do pobre