O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO III - CAP. X - LEI DE LIBERDADE 355

LEI DE LIBERDADE

mais puro. Insensatos que não vêem senão a matéria! Não é o sangue que é mais ou menos puro, mas o Espírito. (361-803)

832 – Há homens que tratam seus escravos com humanidade; que não lhes deixam faltar nada e pensam que a liberdade os exporia a privações maiores; que dizeis deles?

– Digo que estes compreendem melhor seus interesses. Eles têm também grande cuidado com seus bois e seus cavalos, a fim de tirar deles maior proveito no mercado. Não são tão culpados como aqueles que os maltratam, mas dispõem deles como de uma mercadoria, privando-os do direito de serem independentes.

LIBERDADE DE PENSAR.

833 – Há no homem alguma coisa que escapa a todo constrangimento e pela qual ele desfruta de uma liberdade absoluta?

– É no pensamento que o homem goza de uma liberdade sem limites, porque não conhece entraves. Pode-se deter-lhe o vôo, mas não aniquilá-lo.

834 – O homem é responsável pelo seu pensamento?

– Ele é responsável diante de Deus. Só Deus, podendo conhecê-lo, o condena ou o absolve segundo a sua justiça.

LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA.

835 – A liberdade de consciência é uma conseqüência da liberdade de pensamento?

– A consciência é um pensamento íntimo que pertence ao homem, como todos os outros pensamentos.

836 – O homem tem direito de entravar a liberdade de consciência?

– Não mais que à liberdade de pensar, porque só a Deus pertence o direito de julgar a consciência. Se o homem regula, por suas leis, as relações de homem para homem, Deus, por suas leis da Natureza, regula as relações do homem com Deus.

837 – Qual é o resultado dos entraves postos à liberdade de consciência?