O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO III - CAP. X - LEI DE LIBERDADE 356

– Constranger os homens a agirem de modo contrário ao que pensam, torná-los hipócritas. A liberdade de consciência é um dos caracteres da verdadeira civilização e do progresso.

838 – Toda crença é respeitável, mesmo que seja notoriamente falsa?

– Toda crença é respeitável, quando é sincera e conduz à prática do bem. As crenças repreensíveis são as que conduzem ao mal.

839 – É repreensível escandalizar na sua crença aquele que não pensa como nós?

– É faltar com a caridade e golpear a liberdade de pensar.

840 – É insultar a liberdade de consciência opor entraves às crenças capazes de perturbar a sociedade?

– Podem-se reprimir os atos, mas a crença íntima é inacessível.

Reprimir os atos exteriores de uma crença, quando esses atos trazem algum prejuízo a outrem, não é insultar a liberdade de consciência, porque essa repressão deixa à crença sua inteira liberdade.

841 – Deve-se, em respeito à liberdade de consciência, deixar se propagarem doutrinas perniciosas, ou se pode, sem insultar a essa liberdade, procurar trazer de novo ao caminho da verdade aqueles que se perderam por falsos princípios?

– Certamente se pode e, mesmo, se deve. Mas ensinar, a exemplo de Jesus, pela suavidade e a persuasão e não pela força, o que seria pior que a crença daquele a quem se quer convencer. Se há alguma coisa que seja permitido se impor, é o bem e a fraternidade. Mas não cremos que o meio de os fazer admitir seja o de agir com violência: a convicção não se impõe.

842 – Todas as doutrinas tendo a pretensão de ser a única expressão da verdade, por que sinais se pode reconhecer aquela que tem o direito de se colocar como tal?

– Será aquela que faz mais homens de bem e menos hipócritas, quer dizer, praticante da lei do amor e da caridade na sua maior pureza e na sua mais larga aplicação. Por esse sinal reconhecereis que uma doutrina é boa, porque toda doutrina que tiver  por conseqüência  semear  a  desunião e