O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO III - CAP. X - LEI DE LIBERDADE 360

854 – Da infalibilidade da hora da morte, segue-se que as precauções que se tomam para evitá-la são inúteis?

– Não, porque as precauções que tomais vos são sugeridas para evitar a morte que vos ameaça; elas são um dos meios para que a morte não ocorra.

855 – Qual o objetivo da Providência ao fazer-nos correr perigos que não devem ter conseqüência?

– Quando tua vida é posta em perigo, é uma advertência que tu mesmo desejaste, a fim de te desviar do mal e te tornares melhor. Quando escapas desse perigo, ainda sob a influência do perigo que correste, sonhas, mais ou menos fortemente, segundo a ação mais ou menos forte dos bons Espíritos, em te tornares melhor. O mau Espírito sobrevindo (digo mau subentendendo o mal que ainda há nele), pensas que escaparás igualmente de outros perigos e deixas de novo tuas paixões se desencadearem. Pelos perigos que correis, Deus vos lembra vossas fraquezas e a fragilidade de vossa existência. Se examinarmos a causa e a natureza do perigo, ver-se-á que, o mais freqüentemente, as conseqüências foram a punição de uma falta cometida ou de um dever negligenciado. Deus vos adverte, assim, para vos recolher em vós mesmos e vos corrigir. (526-532).

856 – O Espírito sabe antecipadamente o gênero de morte pelo qual deve sucumbir?

– Sabe que o gênero de vida que escolheu o expõe a morrer de tal maneira antes que de outra, mas sabe igualmente as lutas que terá de sustentar para o evitar, e que, se Deus o permitir, não sucumbirá.

857 – Há homens que enfrentam os perigos dos combates com certa persuasão de que sua hora não chegou; há algum fundamento nessa confiança?

– Muito freqüentemente o homem tem o pressentimento do seu fim, como pode ter o de que não morrerá ainda. Esse pressentimento lhe vem dos seus Espíritos protetores que querem adverti-lo a estar pronto para partir, ou que levantam sua coragem nos momentos em que ela lhe é mais necessária. Pode-lhe vir ainda  da intuição  que tem  da existência que escolheu, ou da missão que aceitou e que sabe dever cumprir. (411-522).