O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO III - CAP. X - LEI DE LIBERDADE 361

858 – Por que aqueles que pressentem sua morte a temem, geralmente, menos que os outros?

– É o homem que teme a morte, não o Espírito. Aquele que a pressente, pensa mais como Espírito que como homem; compreende sua libertação e a espera.

859 – Se a morte não pode ser evitada quando chegou a sua hora, ocorre o mesmo em todos os acidentes que nos atingem no curso da vida?

– Freqüentemente, essas são coisas muito pequenas, das quais podemos vos prevenir e, algumas vezes, as fazer evitar, dirigindo vosso pensamento, porque não amamos o sofrimento material; mas isso é pouco importante para a vida que escolhestes. A fatalidade, verdadeiramente, não consiste senão na hora em que deveis aparecer e desaparecer deste mundo.

– Há fatos que, forçosamente, devam acontecer e que a vontade dos Espíritos não possa evitar?

– Sim, mas tu, quando no estado de Espírito, viste e pressentiste, ao fazer a tua escolha. Entretanto, não creiais que tudo o que ocorre esteja escrito, como se diz. Um acontecimento é, freqüentemente, a conseqüência de uma coisa que fizeste por um ato de tua livre vontade, de tal sorte que se não tivesses feito essa coisa, o acontecimento não ocorreria. Se queimas o dedo, isso não é nada; é o resultado de tua imprudência e a conseqüência da matéria. Não há senão as grandes dores, os acontecimentos importantes que podem influir sobre o moral, que são previstos por Deus, porque são úteis à tua depuração e à tua instrução.

860 – O homem, por sua vontade e por seus atos, pode fazer com que os acontecimentos que deveriam ocorrer não ocorram, e vice-versa?

– Ele o pode, desde que esse desvio aparente possa se harmonizar com a vida que escolheu. Ademais, para fazer o bem, como o deve ser, e como isso é o único objetivo da vida, pode impedir o mal, sobretudo aquele que poderia contribuir para um mal maior.

861 – O homem que comete um homicídio sabe, ao escolher sua existência, que se tornará um assassino?