O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO III - CAP. XI - LEI DE JUSTIÇA, DE AMOR E DE CARIDADE 372

– Mas se cada um se atribui os direitos de seu semelhante, que se torna a subordinação para com os superiores? Não é a anarquia de todos os poderes?

– Os direitos naturais são os mesmos para todos os homens, desde o menor até o maior. Deus não fez uns de um limo mais puro que os outros, e todos são iguais diante dele. Esses direitos são eternos; os que o homem estabeleceu perecem com suas instituições. De resto, cada um percebe bem sua força ou sua fraqueza e saberá ter sempre uma espécie de deferência para aquele que a mereça pela sua virtude e sua sabedoria. É importante destacar isso, a fim de que aqueles que se crêem superiores conheçam seus deveres, para merecer essas deferências. A subordinação não estará comprometida, quando a autoridade for dada à sabedoria.

879 – Qual seria o caráter do homem que praticasse a justiça em toda a sua pureza?

– O verdadeiro justo, a exemplo de Jesus, porque praticaria também o amor do próximo e a caridade, sem os quais não há verdadeira justiça.

DIREITO DE PROPRIEDADE. ROUBO.

880 – Qual é o primeiro de todos os direitos naturais do homem?

– O de viver. Por isso, ninguém tem o direito de atentar contra a vida de seu semelhante, nem de fazer nada que possa comprometer a sua existência corporal.

881 – O direito de viver dá ao homem o direito de ajuntar o que necessitar para viver e repousar, quando não puder mais trabalhar?

– Sim, mas deve fazê-lo em família, como a abelha, por um trabalho honesto e não amontoar como um egoísta. Mesmo alguns animais lhe dão o exemplo da previdência.

882 – O homem tem o direito de defender o que ajuntou pelo trabalho?

– Deus não disse: não furtarás; e Jesus: é preciso dar a César o que pertence a César?

O que o homem amontoa por um trabalho honesto  é  uma