O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO III - CAP. XI - LEI DE JUSTIÇA, DE AMOR E DE CARIDADE 373

proprieadade legítima que tem o direito de defender, porque a propriedade. que é fruto do trabalho, é um direito natural tão sagrado como o de trabalhar e de viver.

883 – O desejo de possuir está na Natureza?

– Sim, mas quando o homem só deseja para si e para a sua satisfação pessoal, é egoísmo.

– Não é legítimo, entretanto, o direito de possuir, visto que aquele que tem de que viver não é carga para ninguém?

– Há homens insaciáveis e que acumulam sem proveito para ninguém, ou para satisfazer suas paixões. Crês que isso seja bem visto por Deus? Aquele que, ao contrário, amontoa por seu trabalho para ajudar seus semelhantes, pratica a lei de amor e caridade, e seu trabalho é abençoado por Deus.

884 – Qual é o caráter da propriedade legítima?

– Não há propriedade legítima, senão aquela que foi adquirida sem prejuízo para outrem (808).

A lei de amor e de justiça proibindo fazer a outrem o que não desejáramos que nos fizessem, condena por isso mesmo todo meio de aquisição contrário a essa lei.

885 – O direito de propriedade é indefinido?

– Sem dúvida, tudo o que é adquirido legitimamente é uma propriedade. Todavia, como o dissemos, a legislação dos homens, sendo imperfeita, consagra, freqüentemente, direitos de convenção que a justiça natural reprova. Por isso, eles reformam suas leis à medida que o progresso se realiza, e que compreendem melhor a justiça. O que parece perfeito num século, parece bárbaro no século seguinte. (795).

CARIDADE E AMOR DO PRÓXIMO.

886 – Qual é o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus?

– Benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias, perdão das ofensas.

O amor e a caridade são o complemento da lei de justiça, porque amar ao próximo é fazer-lhe todo o bem que está ao nosso alcance e que gostaríamos nos fosse feito a nós mesmos. Tal é o sentido das palavras de Jesus: Amai-vos uns  aos  outros, como irmãos.