O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO III - CAP. XII - PERFEIÇÃO MORAL 380

– Aquele que conheceu o sofrimento e sabe o que é sofrer. Ele conhece a dor que não alivia, mas muito freqüentemente, dela não se lembra mais.

900 – Aquele que acumula sem cessar e sem fazer o bem a ninguém encontra uma desculpa válida no pensamento de que amontoa para deixar mais aos seus herdeiros?

– É um compromisso com a má consciência.

901 – De dois avarentos, o primeiro se recusa o necessário e morre de necessidade sobre seu tesouro; o segundo não é avaro senão para os outros; enquanto que ele recua diante do menor sacrifício para prestar serviço ou fazer uma coisa útil, nada lhe custa para satisfazer seus gostos e suas paixões. Peça-se-lhe um serviço, e ele é sempre difícil; quando quer passar por uma fantasia, sempre tem o bastante. Qual é o mais culpado e qual o que terá o pior lugar no mundo dos Espíritos?

– Aquele que goza: ele é mais egoísta do que avarento. O outro já encontrou uma parte de sua punição.

902 – É repreensível invejar a riqueza, quando pelo desejo de fazer o bem?

– O sentimento é louvável, sem dúvida, quando é puro; mas esse desejo é sempre bem desinteressado e não esconde nenhuma intenção oculta pessoal? A primeira pessoa à qual se deseja fazer o bem, freqüentemente, não é a si mesmo?

903 – Há culpa em estudar os defeitos dos outros?

– Se é para os criticar e divulgar, há muita culpa, porque é faltar com a caridade. Se é para fazê-lo  em  seu proveito pessoal  e  os  evitar  em  si  mesmo,  isso  pode algumas vezes ser útil. Mas é preciso não esquecer que a indulgência pelos defeitos alheios é  uma  das  virtudes  contidas na caridade. Antes de fazer aos outros uma censura de suas imperfeições, vede se não se pode dizer a mesma coisa de vós.  Esforçai-vos,  portanto,  em  ter as qualidades opostas aos defeitos que criticais nos outros, esse  é  o  meio  de vos tornardes superiores. Se os censurais por serem avarentos, sede generosos; por serem orgulhosos, sede humildes e modestos; por serem duros, sede dóceis; por agirem com baixeza, sede  grandes  em  todas  as  vossas  ações; em uma pala-