O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO III - CAP. XII - PERFEIÇÃO MORAL 381

vra, fazei de tal maneira que não vos possam aplicar estas palavras de Jesus: ele vê um argueiro no olho do seu vizinho e não vê uma trave no seu.

904 – Há culpa em sondar as chagas da sociedade e as revelar?

– Isso depende do sentimento que o leva a fazê-lo. Se o escritor não tem em vista senão produzir escândalo, é um prazer pessoal que ele se procura apresentando quadros que, freqüentemente, são mais um mau que um bom exemplo. O Espírito aprecia, mas pode ser punido por essa espécie de prazer que toma em revelar o mal.

– De que forma, nesse caso, julgar a pureza das intenções e a sinceridade do escritor?

– Isso não é sempre útil. Se ele escreveu boas coisas, aproveitai-as; se fez mal, é uma questão de consciência que a ele diz respeito. De resto, se deseja provar sua sinceridade, cabe a ele apoiar o preceito pelo seu próprio exemplo.

905 – Certos autores publicaram obras muito bonitas e de grande moralidade que ajudam o progresso da Humanidade, mas das quais eles mesmos não se aproveitaram; como Espíritos, lhes será levado em conta, o bem que fizeram através de suas obras?

– A moral sem a ação é a semente sem o trabalho. De que serve a semente se não fazeis frutificar para vos nutrir? Esses homens são mais culpáveis, porque tinham inteligência para compreender; não praticando as máximas que deram aos outros, renunciaram a colher os frutos.

906 – Aquele que faz o bem é repreensível por ter dele consciência e de reconhecê-lo a si mesmo?

– Visto que pode ter consciência do mal que faz, ele deve ter também a do bem, a fim de saber se age bem ou mal. É pesando todos os seus atos na balança da lei de Deus e sobretudo, na da lei da justiça, de amor e de caridade, que ele poderá dizer a si mesmo se elas são boas ou más, aprová-las ou as desaprovar. Ele não pode pois, ser repreensível por reconhecer que triunfou das más tendências e disso estar satisfeito, contanto que não se envaideça, porque, então, cairia em outra falta. (919).