O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO IV - CAP. II - PENAS E GOZOS FUTUROS 405

CAPÍTULO II

PENAS E GOZOS FUTUROS

1. Nada. Vida futura – 2. Intuição das penas e gozos futuros. – 3. Intervenção de Deus nas penas e recompensas – 4. Natureza das penas e gozos futuros. – 5. Penas temporais. – 6. Expiação e arrependimento. – 7. Duração das penas futuras. – 8. Paraíso, inferno e purgatório.

NADA. VIDA FUTURA.

958 – Por que o homem tem, instintivamente, horror ao nada?

– Porque o nada não existe.

959 – De onde vem ao homem o sentimento instintivo da vida futura?

– Já o dissemos: antes de sua encarnação, o Espírito conhece todas essas coisas, e a alma guarda uma vaga lembrança do que sabe e do que viu em seu estado espiritual. (393).

Em todos os tempos o homem se preocupou com o seu futuro de além-túmulo, e isso é muito natural. Qualquer importância que ele ligue à vida presente, não o pode impedir de considerar quanto ela é curta, e, sobretudo, precária, visto que pode ser cortada a cada instante e ele não está jamais seguro do dia de amanhã. Que se torna depois do instante fatal? A questão é grave, porque não cogita mais de alguns anos, mas da eternidade. Aquele que deve passar longos anos num país estrangeiro se inquieta com a posição que aí terá; como, pois, não nos preocuparíamos com a que teremos deixando este mundo, visto que é para sempre?

A idéia do nada tem alguma coisa que repugna à razão. O homem mais negligente durante sua vida, chegado o momento supremo, se pergunta o que vai tornar-se, e involuntariamente espera.

Crer em Deus sem admitir a vida futura seria um contra-senso. O sentimento de uma existência melhor está no foro íntimo de todos os homens. Deus não o colocou aí em vão.