O LIVRO DOS ESPÍRITOS - INTRODUÇÃO 41

INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA

I

Para as coisas novas necessitam-se de palavras novas, assim o quer a clareza da linguagem para evitar a confusão inseparável do sentido múltiplo dos mesmos vocábulos. As palavras espiritual, espiritualista, espiritualismo têm uma acepção bem definida: dar-lhes uma nova para as aplicar à doutrina dos Espíritos seria multiplicar as causas já numerosas de anfibologia. Com efeito, o espiritualismo é o oposto do materialismo; quem crê haver em si outra coisa que a matéria, é espiritualista. Mas não se segue daí que crê na existência dos Espíritos ou em suas comunicações com o mundo visível. Em lugar das palavras espiritual, espiritualismo, empregamos para designar esta última crença as de espírita e de Espiritismo, das quais a forma lembra a origem e o sentido radical, e que, por isso mesmo têm a vantagem de ser perfeitamente inteligíveis, reservando à palavra espiritualismo a sua acepção própria. Diremos pois, que a Doutrina Espírita ou o Espiritismo tem por princípios as relações do mundo material com os Espíritos ou seres do mundo invisível. Os adeptos do Espiritismo serão os espíritas ou, se o quiserem, os espiritistas.

Como especialidade, O Livro dos Espíritos contém a Doutrina Espírita; como generalidade, ele se prende à doutrina espiritualista da qual apresenta uma das fases. Tal a razão porque traz no seu cabeçalho as palavras: filosofia espiritualista.

II

Há um outro termo sobre o qual importa igualmente se entender, porque é uma das chaves de abóboda de toda a doutrina moral, e que é objeto de numerosas controvérsias, por falta de uma acepção bem determinada: é a palavra alma. A divergência de opiniões sobre a natureza da alma vem da aplicação particular que cada um faz dessa palavra. Uma língua perfeita, em que cada idéia teria sua representação por um termo próprio, evitaria discussões.

Com uma palavra para cada coisa, todo mundo se entenderia.

Segundo alguns, a alma é o princípio da vida material orgâ-