O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO IV - CAP. II - PENAS E GOZOS FUTUROS 410

972 – Como fazem os maus Espíritos para tentar os outros Espíritos visto que não dispõem do socorro das paixões?

– Se as paixões não existem materialmente, elas existem ainda no pensamento dos Espíritos atrasados. Os maus mantêm esses pensamentos, arrastando suas vítimas para os lugares onde elas têm o espetáculo dessas paixões e tudo o que as pode excitar.

– Mas por que essas paixões, se já não têm mais objeto real?

– É precisamente para o seu suplício: o avarento vê o ouro que não pode possuir; o debochado, as orgias nas quais não pode tomar parte; o orgulhoso, as honras que ele inveja e das quais não pode gozar.

973 – Quais são os maiores sofrimentos que podem suportar os maus Espíritos?

– Não há descrição possível das torturas morais que são a punição de certos crimes. Mesmo os que as experimentam teriam dificuldades em vos dar uma idéia delas. Mas, seguramente, a mais horrível é o pensamento de serem condenados para sempre.

O homem faz das penas e dos gozos da alma depois da morte uma idéia mais ou menos elevada, segundo o estado de sua inteligência. Quanto mais ele se desenvolve, mais essa idéia se depura e se liberta da matéria. Ele compreende as coisas sob um ponto de vista mais racional e deixa de prender à letra as imagens de uma linguagem figurada. A razão mais esclarecida, nos ensinando que a alma é um ser todo espiritual, nos diz, por isso mesmo, que ela não pode ser afetada pelas impressões que não agem senão sobre a matéria. Mas não se segue disso que esteja isenta de sofrimentos, nem que não receba a punição de suas faltas. (237).

As comunicações espíritas têm por resultado nos mostrar o estado futuro da alma, não mais como uma teoria, mas como uma realidade. Elas colocam sob nossos olhos todas as peripécias da vida de além-túmulo. Mas no-las mostram ao mesmo tempo como conseqüências perfeitamente lógicas da vida terrestre, e, ainda que liberto do aparelho fantástico criado pela imaginação dos homens, elas não são menos penosas para aqueles que fizeram mau uso de suas faculdades. A diversidade dessas conseqüências é infinita, mas pode-se dizer em tese geral: cada um é punido naquilo em que pecou. É assim que uns o são pela visão incessante do mal que fizeram, outros pelos desgostos, pelo medo, pela vergonha, pela dúvida, pelo isolamento, pelas trevas, pela separação dos seres que lhe são caros, etc.

974 – Qual a origem da doutrina do fogo eterno?