O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO IV - CAP. II - PENAS E GOZOS FUTUROS 414

982 – É necessário fazer profissão de fé espírita e de crer nas manifestações para assegurar nossa sorte na vida futura?

– Se fosse assim, seguir-se-ia que todos aqueles que não crêem ou que não tiveram os mesmos esclarecimentos são deserdados, o que seria absurdo. É o bem que assegura a sorte futura; ora, o bem é sempre o bem, qualquer que sejam o caminho que a ele conduz. (165-799).

A crença no Espiritismo ajuda a melhorar-se fixando as idéias sobre certos pontos do futuro. Ela apressa o adiantamento dos indivíduos e das massas, porque permite conhecer o que seremos um dia; é um ponto de apoio, uma luz que nos guia. O Espiritismo ensina a suportar as provas com paciência e resignação. Ele desvia os atos que podem retardar a felicidade futura e é assim que contribui para essa felicidade, mas não diz que sem isso não se pode alcançá-la.

PENAS TEMPORAIS.

983 – O Espírito que expia suas faltas numa nova existência, não tem sofrimentos materiais e, então, é exato dizer que, depois da morte, a alma não tem senão sofrimentos morais?

– É bem verdade que, quando a alma está reencarnada, as tribulações da vida são, para ela, um sofrimento; mas não tem ela senão o corpo que sofre materialmente.

Dizeis freqüentemente, daquele que está morto, que ele nada mais tem a sofrer; isso não é sempre verdadeiro. Como Espírito, ele não tem mais dores físicas; mas, segundo as faltas que cometeu, pode ter dores morais mais pungentes e, numa nova existência, pode ser ainda mais infeliz. O mau rico nela pedirá esmola e será vítima de todas as privações da miséria; o orgulhoso, de todas as humilhações; aquele que abusa de sua autoridade e trata seus subordinados com desprezo e dureza, então, será forçado a obedecer a um senhor mais duro do que ele o foi. Todas as penas e as tribulações da vida são a expiação de faltas de uma outra existência, quando não são a conseqüência das faltas da vida atual. Quando houverdes saído daqui, compreendê-la-eis. (273, 393, 399).

O homem que se crê feliz sobre a Terra porque pode satisfazer suas paixões, é o que faz menos esforços para se melhorar. Freqüentemente, ele expia desde esta vida sua felicidade efêmera, mas a expiará certamente em uma outra existência, também toda material.