O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO IV - CAP. II - PENAS E GOZOS FUTUROS 415

984 – As vicissitudes da vida são sempre a punição de faltas atuais?

– Não; já o dissemos: são provas impostas por Deus, ou escolhidas por vós mesmos no estado de Espírito e antes da vossa reencarnação, para expiar as faltas cometidas em uma outra existência, porque jamais a infração às leis de Deus, e sobretudo à lei de justiça, fica impune. E se não é nesta vida será, necessariamente, em uma outra, e por isso aquele que é justo aos vossos olhos, freqüentemente, está marcado pelo seu passado. (393).

985 – A reencarnação da alma num mundo menos grosseiro é uma recompensa?

– É a conseqüência de sua depuração, porque à medida que os Espíritos se depuram, eles encarnam em mundos cada vez mais perfeitos, até que tenham se despojado de toda a matéria e estejam lavados de todas as suas manchas, para gozar eternamente da felicidade dos Espíritos puros, no seio de Deus.

Nos mundos onde a existência é menos material que neste mundo, as necessidades são menos grosseiras e todos os sofrimentos físicos menos vivos. Os homens não conhecem mais as más paixões que, nos mundos inferiores, os fazem inimigos uns dos outros. Não tendo nenhum objeto de ódio, nem de ciúme, eles vivem entre si em paz, porque praticam a lei da justiça, do amor e da caridade. Eles não conhecem os aborrecimentos e as inquietações que nascem da inveja, do orgulho e do egoísmo, e que fazem o tormento da nossa existência terrestre. (172-182).

986 – O Espírito que progrediu na sua existência terrestre pode, algumas vezes, reencarnar no mesmo mundo?

– Sim, se não pôde cumprir a sua missão, ele mesmo pode pedir para completá-la em uma nova existência; mas, então, isso não é mais para ele uma expiação. (173).

987 – Em que se torna o homem que, sem fazer o mal, nada faz para sacudir a influência da matéria?

– Visto que nada fez na direção da perfeição, deve recomeçar uma existência da natureza da que deixou; fica estacionário, e é assim que ele pode prolongar os sofrimentos da expiação.

988 – Há pessoas para as quais a vida se escoa numa calma perfeita;  que, não  tendo  necessidade  de  nada fazer