O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO IV - CAP. II - PENAS E GOZOS FUTUROS 416

para si mesmas, estão isentas de cuidados. Essa existência feliz é uma prova de que elas nada têm a expiar de uma existência anterior?

– Conhece-as bem? Se o crês, enganas-te. Freqüentemente, a calma não é senão aparente. Podem ter escolhido essa existência, mas, quando a deixam, percebem que ela não lhes serviu ao progresso e, então, como o preguiçoso, lamentam o tempo perdido. Sabei bem que o Espírito não pode adquirir conhecimentos e se elevar senão pela atividade; se adormece na negligência não avança. Ele é semelhante àquele que tem necessidade (segundo vossos usos) de trabalhar e que vai passear ou deitar com a intenção de nada fazer. Sabei, também, que cada um terá que prestar contas da inutilidade voluntária de sua existência; essa inutilidade é sempre fatal à felicidade futura. A soma da felicidade futura está em razão da soma do bem que se fez; a da infelicidade está na razão do mal e dos infelizes que se tenham feito.

989 – Há pessoas que sem serem positivamente más, tornam infelizes todos aqueles que as cercam, pelo seu caráter; qual é para elas a conseqüência?

– Essas pessoas, seguramente, não são boas e o expiarão pela visão daqueles que tornaram infelizes, e isso será para elas uma censura. Depois, numa outra existência, suportarão o que fizeram suportar.

EXPIAÇÃO E ARREPENDIMENTO.

990 – O arrependimento tem lugar no estado corporal ou no estado espiritual?

– No estado espiritual; mas ele pode também ter lugar no estado corporal, quando compreendeis bem a diferença do bem e do mal.

991 – Qual é a conseqüência do arrependimento no estado espiritual?

– O desejo de uma nova encarnação, para se purificar. O Espírito compreende as imperfeições que o privam de ser feliz, e, por isso, aspira a uma nova existência, em que poderá expiar suas faltas. (332-975).