O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO IV - CAP. II - PENAS E GOZOS FUTUROS 420

da vida, reconhece suas faltas, mas não tem tempo de repará-las? Arrepender-se basta nesse caso?

– O arrependimento apressa sua reabilitação, mas não o absolve. Não há diante dele o futuro que jamais se fecha?

DURAÇÃO DAS PENAS FUTURAS.

1003 – A duração dos sofrimentos do culpado, na vida futura, é arbitrada ou subordinada a alguma lei?

–  Deus não age jamais por capricho e tudo, no Universo, está regido por leis em que revelam a sua sabedoria e a sua bondade.

1004 – Sobre o que está baseada a duração dos sofrimentos do culpado?

– Sobre o tempo necessário ao seu aperfeiçoamento. O estado de sofrimento e de felicidade sendo proporcional ao grau de depuração do Espírito, a duração e a natureza dos seus sofrimentos depende do tempo que ele emprega para se melhorar. À medida que ele progride e que os seus sentimentos se depuram, seus sofrimentos diminuem e mudam de natureza.

SÃO LUÍS

1005 – Para o Espírito sofredor, o tempo parece tão longo, ou menos longo, como se estivesse vivo?

– Parece-lhe ainda mais longo: o sono não existe para ele. Não é senão para os Espíritos que atingiram um certo grau de depuração que o tempo se eclipsa, por assim dizer, diante do infinito. (240).

1006 – A duração dos sofrimentos do Espírito pode ser eterna?

– Sem dúvida, se for eternamente mau, quer dizer, se não deva jamais se arrepender nem se melhorar, ele sofrerá eternamente. Mas Deus não criou seres para que sejam perpetuamente devotados ao mal. Ele não os criou senão simples e ignorantes, e todos devem progredir num tempo mais ou menos longo, segundo sua vontade. A vontade pode ser mais ou menos tardia, como há crianças mais ou menos precoces, contudo, ela vem, cedo ou tarde, pela irresistível necessidade que o  Espírito  experimenta de  sair