O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO IV - CAP. II - PENAS E GOZOS FUTUROS 421

de sua inferioridade e ser feliz. A lei que rege a duração das penas é, pois, eminentemente sábia e benevolente, visto que subordina essa duração aos esforços do Espírito; ela não lhe tira jamais seu livre arbítrio: se dela faz mau uso, suporta-lhe as conseqüências.

SÃO LUÍS

1007 – Há Espíritos que jamais se arrependem?

– Há Espíritos nos quais o arrependimento é muito tardio; mas pretender que eles não se melhorem jamais seria negar a lei do progresso e dizer que a criança não pode tornar-se adulto.

SÃO LUÍS

1008 – A duração das penas depende sempre da vontade do Espírito, e não há as que lhe são impostas por um tempo dado?

– Sim, as penas podem ser-lhe impostas por um tempo, mas Deus, que não quer senão o bem de suas criaturas, acolhe sempre o arrependimento, e o desejo de melhorar-se não é jamais estéril.

SÃO LUÍS

1009 – Segundo esse entendimento, as penas impostas não o seriam jamais pela eternidade?

– Interrogai vosso bom senso, vossa razão, perguntai-vos se uma condenação perpétua, por alguns momentos de erro, não seria a negação da bondade de Deus? Que é, com efeito, a duração da vida, fosse ela de cem anos, em relação à eternidade? Eternidade! compreendeis bem essa palavra?, sofrimentos, torturas sem fim, sem esperança, por algumas faltas! Vosso julgamento não rejeita semelhante pensamento? Que os antigos tenham visto no senhor do Universo um Deus terrível, ciumento e vingativo, isso se concebe; na sua ignorância ,emprestaram à divindade as paixões dos homens. Mas não está aí o Deus dos cristãos que coloca o amor, a caridade, a misericórdia, o esquecimento das ofensas no lugar das primeiras virtudes: poderia ele próprio faltar às qualidades das quais faz um dever? Não há contradição em atribuir-lhe a bondade infinita e a vingança infinita? Dizeis que antes de tudo ele