O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO IV - CONCLUSÃO 434

é porque não o conhecem, e fossem eles os homens mais sábios nós lhes diríamos: se vossa Ciência, que vos ensina tantas coisas, não vos ensinou que o domínio da Natureza é infinito, não sois sábios senão pela metade.

III

Quereis, segundo dizeis, curar vosso século de uma mania que ameaça invadir o mundo. Gostaríeis mais que o mundo fosse invadido pela incredulidade que procurais propagar? Não é à ausência de toda crença que é preciso atribuir o relaxamento dos laços de família e a maioria das desordens que minam a sociedade? Demonstrando a existência e a imortalidade da alma, o Espiritismo estimula a fé no futuro, levanta os ânimos abatidos, faz suportar com resignação as vicissitudes da vida; ousaríeis chamar a isso um mal? Duas doutrinas se confrontam: uma que nega o futuro, outra que o proclama e o prova; uma que não explica nada, outra que explica tudo e para isso recorre à razão; uma  é a consagração do egoísmo, a outra dá uma base à justiça, à caridade e ao amor dos semelhantes; a primeira não mostra senão o presente e aniquila toda esperança, a segunda consola e mostra o campo vasto do futuro; qual é a mais perniciosa?

Certas pessoas, e entre as mais céticas, se fazem os apóstolos da fraternidade e do progresso; mas a fraternidade supõe o desinteresse, a abnegação da personalidade. Com a verdadeira fraternidade o orgulho é uma anomalia. Com que direito impondes um sacrifício àquele a quem dizeis que quando morrer tudo está findo para ele e que, talvez, amanhã não será mais que uma velha máquina deslocada e atirada de lado?  Que  razão  há  para  se impor uma privação  qualquer? Não é mais natural que  durante  os  curtos  instantes que lhe concedeis, ele procure viver o melhor  possível?  Daí o desejo de possuir mais  para  melhor   gozar.  Desse desejo nasce o ciúme contra aqueles que possuem mais do  que ele; e desse ciúme à inveja de  tomar  o  que  eles  têm,  não há senão um passo. Que o detém? A lei? Mas a lei não alcança todos os casos. Direis  que  é  a consciência, o sentimento do  dever?  Mas  sobre  o  que  baseais  o  sentimento do dever? Esse sentimento tem alguma razão de ser  com  a a crença de que tudo termina com a vida? Com essa crença uma  só  máxima  é  racional:  cada um para  si.  As  idéias de