O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO IV - CONCLUSÃO 436

lugar, porque o homem, querendo o progresso, estuda os obstáculos e se aplica em destruí-los. Desde que o movimento progressivo é incontestável, o progresso futuro não deveria ser duvidoso. O homem quer ser feliz e isso está na Natureza. Ora, ele não procura o progresso senão para aumentar a soma de sua felicidade, sem o que o progresso seria sem objetivo. Onde estaria o progresso para ele, se esse progresso não devesse melhorar sua posição? Mas quando tiver a soma de prazeres que pode dar o progresso intelectual, ele se aperceberá que não tem a felicidade completa; reconhecerá que essa felicidade é impossível sem a segurança das relações sociais, que não encontrará senão no progresso moral. Portanto, pela força das coisas, ele próprio encaminhará o progresso para esse caminho e o Espiritismo lhe oferecerá a mais poderosa alavanca para atingir esse objetivo.

V

Aqueles que dizem que as crenças espíritas ameaçam invadir o mundo, proclamam-lhe, com isso, a força, porque uma idéia sem fundamento e despida de lógica não poderia tornar-se universal. Portanto, se o Espiritismo se implanta por toda a parte, se faz adeptos sobretudo nas classes esclarecidas, assim que cada um o reconhece, é porque tem um fundo de verdade. Contra essa tendência todos os esforços dos seus detratores serão vãos, e o que o prova é que o ridículo com o qual procuram cobri-lo, longe de deter-lhe o impulso, parece lhe ter dado uma nova vida. Esse resultado justifica plenamente o que, muitas vezes, nos disseram os Espíritos: "Não vos inquieteis com a oposição, tudo o que se fizer contra vós tornará para vós, e vossos maiores adversários servirão à vossa causa, sem o querer. Contra a vontade de Deus a má vontade dos homens não prevalecerá."

Pelo Espiritismo, a Humanidade deve entrar numa fase nova, a do progresso moral, que é a sua conseqüência inevitável. Portanto, cessai de vos espantar da rapidez com a qual se propagam as idéias espíritas; a sua causa está na satisfação que elas proporcionam a todos os que as aprofundam, e que nelas vêem outra coisa que um fútil passatempo. Ora, como cada um quer a felicidade antes de tudo, não é de admirar que se interesse por uma idéia que o torna feliz.

O desenvolvimento dessas idéias apresenta três perío-