O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO IV - CONCLUSÃO 437

dos distintos: o primeiro é o da curiosidade provocada pela estranheza dos fenômenos que se produzem; o segundo, o do raciocínio e da filosofia, e o terceiro o da aplicação e das conseqüências. O período da curiosidade passou. A curiosidade não tem senão um tempo e, uma vez satisfeita, muda de objeto para passar a um outro. O mesmo não sucede com aquele que recorre ao pensamento sério e ao julgamento. Começado o segundo período, o terceiro o seguirá inevitavelmente. O Espiritismo tem progredido, sobretudo, depois que foi melhor compreendido em sua essência íntima, depois que se lhe viu a importância, porque toca o ponto mais sensível do homem: o da sua felicidade, mesmo neste mundo. Nisso está a causa da sua propagação, o segredo da força que o fará triunfar. Ele torna felizes aqueles que o compreendem, até que sua influência se estenda sobre as massas. Mesmo aquele que não teve nenhum testemunho material de manifestação, diz: além desses fenômenos, há a filosofia que me explica o que NENHUMA outra me havia explicado; nela encontro, só pelo raciocínio, uma demonstração racional de problemas que interessam muitíssimo ao meu futuro; ela me proporciona a calma, a segurança e a confiança; me livra do tormento da incerteza: ao lado dela, a questão dos fatos materiais é uma questão secundária. Vós todos, que o atacais, quereis um meio de o combater com sucesso? Eis aqui: Substituí-o por qualquer coisa melhor; encontrai uma solução MAIS FILOSÓFICA a todas as questões que ele resolve; dai ao homem uma OUTRA CERTEZA que o torne mais feliz e compreendei bem a importância dessa palavra certeza, porque o homem não aceita como certo senão o que lhe parece lógico. Não vos contenteis em dizer que isso não é assim, pois é muito fácil. Provai, não por uma negação, mas por fatos, que isso não é, jamais foi e não PODE ser. Se não o é, dizei, sobretudo, o que haveria em seu lugar. Provai, enfim, que as conseqüências do Espiritismo não são de tornar os homens melhores e, portanto, mais felizes, pela prática da mais pura moral evangélica, moral que se glorifica muito, mas que se pratica pouco. Quando houverdes feito isso, tereis o direito de atacá-lo. O Espiritismo é forte porque ele se apóia sobre as próprias bases da religião: Deus, a  alma,  as  penas  e  as  recompensas futuras; sobretudo, porque mostra essas penas e essas recompensas como conseqüências naturais da vida terrena, e que nada, no quadro que ele oferece do  futuro,  pode  ser negado pela  mais exigente  razão.  Vós,  cuja  doutrina  total con-