O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO IV - CONCLUSÃO 439

países vizinhos, no mundo inteiro, uma vez que não há uma região, nos dois continentes, onde não haja médiuns? Para encarcerar todos os médiuns, seria preciso encarcerar a metade do gênero humano. Viessem mesmo, o que não seria pouco mais fácil, a queimar todos os livros espíritas, e no dia seguinte eles estariam reproduzidos, porque a sua fonte é inatacável e não se pode nem encarcerar e nem queimar os Espíritos que são seus verdadeiros autores.

O Espiritismo não é obra de um homem. Ninguém se pode dizer seu criador, porque é tão velho quanto a criação. Ele se encontra por toda a parte, em todas as religiões e mais ainda na religião católica, e com mais autoridade que em todas as outras, porque nele se encontra o princípio de tudo: os Espíritos de todos os graus, seus intercâmbios ocultos e patentes com os homens, os anjos guardiães, a reencarnação, a emancipação da alma durante a vida, a dupla vista, as visões, as manifestações de todo gênero, as aparições e mesmo as aparições tangíveis. Com relação aos demônios, não são outra coisa que os maus Espíritos e, salvo a crença de que os primeiros são perpetuamente votados ao mal, enquanto que o caminho do progresso não é interditado aos outros, não há entre eles senão uma diferença de nome.

Que faz a ciência espírita moderna? Reúne em um corpo o que estava esparso; explica em termos próprios o que não o era senão em linguagem alegórica; elimina o que a superstição e a ignorância geraram para não deixar senão a realidade e o positivo: eis o seu papel. Mas o de fundadora não lhe pertence. Ela mostra o que é, coordena mas não cria nada, porque suas bases são de todos os tempos e de todos os lugares. Portanto, quem ousaria considerar-se bastante forte para sufocá-la sob os sarcasmos e mesmo sob a perseguição? Se se a proscreve de um lado, ela renascerá em outros lugares, sobre o terreno mesmo de onde se houver banido, porque está na Natureza e não é dado ao homem destruir uma força da Natureza, nem de colocar seu veto sobre os decretos de Deus.

De resto, que interesse haveria em se entravar a propagação das idéias espíritas? Essas idéias, é verdade, se erguem contra os abusos que nascem do orgulho e do egoísmo; mas esses abusos dos quais alguns aproveitam, prejudicam a coletividade. Portanto, ela terá a seu favor a massa e não terá por adversários sérios senão os que estão interessados em