O LIVRO DOS ESPÍRITOS - INTRODUÇÃO 44

lectual seria a própria dos animais e homens, e a alma espírita pertenceria somente ao homem.

Acreditamos dever insistir tanto mais sobre essas explicações quanto a Doutrina Espírita repousa naturalmente sobre a existência em nós de um ser independente da matéria e sobrevivente ao corpo. A palavra alma, devendo aparecer freqüentemente no curso desta obra, importava ser fixada no sentido que lhe atribuímos, a fim de evitar qualquer equívoco.

Vamos, agora, ao objeto principal desta instrução preliminar.

III

A Doutrina Espírita, como toda coisa nova, tem seus adeptos e seus contraditores. Vamos procurar responder a algumas das objeções destes últimos, examinando o valor dos  motivos sobre os quais eles se apóiam, sem ter, todavia, a pretensão de convencer a todos, porque há pessoas que crêem ter a luz sido feita só para elas. Dirigimo-nos às pessoas de boa fé, sem idéias preconcebidas ou mesmo intransigentes, mas sinceramente desejosas de se instruir, e lhes demonstraremos que a maioria das objeções que se opõem à doutrina provêm de uma observação incompleta dos fatos e de um julgamento feito com muita irreflexão e precipitação.

Lembraremos primeiro, em poucas palavras, a série progressiva dos fenômenos que deram nascimento a esta doutrina.

O primeiro fato observado foi o de objetos diversos colocados em movimento.

Designaram-no vulgarmente sob o nome de mesas girantes ou dança das mesas. Esse fenômeno, que parecia ter sido observado primeiro na América, ou antes, que se renovou nesse continente, porque a história prova que ele remonta à mais alta antiguidade, se produziu acompanhado de circunstâncias estranhas, tais como ruídos insólitos e pancadas sem causa ostensiva conhecida. De lá, ele se propagou rapidamente pela Europa e outras partes do mundo. A princípio levantaram muita  incredulidade, mas a multiplicidade das experiências logo não mais permitiu que se duvidasse da realidade.

Se esse fenômeno tivesse sido limitado ao movimento dos objetos materiais, poderia se explicar por uma causa puramente física. Estamos longe de conhecer todos os agentes ocultos da Natureza, e todas as propriedades daqueles que conhecemos: a eletricidade, aliás, multiplica cada dia ao infinito os recursos que proporciona ao homem, e parece dever iluminar a Ciência com uma nova luz.

Não haveria, pois, nada impossível em que a eletricidade, modificada por certas circunstâncias, ou  outro  agente  desconhe-