O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO IV - CONCLUSÃO 440

manter esses abusos. Pela sua influência, ao contrário, essas idéias, tornando os homens melhores, uns para com os outros, menos ávidos de interesses materiais e mais resignados aos ditames da Providência, são uma garantia de ordem, e de tranqüilidade.

VII

O Espiritismo se apresenta sob três aspectos diferentes: o fato das manifestações, os princípios de filosofia e de moral que dela decorrem e a aplicação desses princípios. Daí três classes, ou antes três graus entre os adeptos: 1) os que crêem nas manifestações e se limitam em constatá-las; é para eles uma ciência experimental; 2) os que lhe compreendem as conseqüências morais; 3) os que praticam ou se esforçam por praticar essa moral. Qualquer que seja o ponto de vista, científico ou moral, sob o qual se examinem esses fenômenos estranhos, cada um compreende que é toda uma nova ordem de idéias que surgiu, das quais as conseqüências não podem ser senão uma profunda modificação no estado da Humanidade, e cada um compreende também que essa modificação não pode ocorrer senão no sentido do bem.

Quanto aos adversários, pode-se também classificá-los em três categorias: 1) os que negam sistematicamente tudo o que é novo, ou não vêm deles, e que falam sem conhecimento de causa. A essa classe pertencem todos aqueles que não admitem nada fora do testemunho dos sentidos; eles nada viram, nem querem nada ver, e ainda menos aprofundar. Ficariam mesmo irritados de ver muito claro com medo de serem forçados em convir que não têm razão. Para eles o Espiritismo é uma quimera, uma loucura, uma utopia, não existe; é muito cedo dizer. São os incrédulos que tomaram partido. Ao lado desses, pode-se colocar aqueles que se dignaram lançar um golpe de olhar para desencargo de consciência, a fim de poderem dizer: Eu quis ver e não vi nada. Eles não compreendem que seja preciso mais de meia hora para se conscientizar de toda uma ciência. – 2) Os que sabendo muito bem em que se apoiar sobre a realidade dos fatos, os combatem, contudo, por motivos de interesse pessoal. Para eles o Espiritismo existe, mas têm medo de suas conseqüências, e o atacam como um inimigo. – 3) Os que encontram na moral espírita  uma  censura  muito  severa de