O LIVRO DOS MÉDIUNS - INTRODUÇÃO 459

 

A experiência nos confirma todos os dias, nesta opinião, que as dificuldades e as decepções, que se encontram na prática do Espiritismo, têm sua fonte na ignorância dos princípios desta ciência, e estamos felizes por termos constatado que o trabalho que fizemos, para premunir os adeptos contra os escolhos do noviciado, produziu seus frutos, e que muitos deveram à leitura atenta desta obra ter podido evitá-los.

Um desejo bem natural, entre as pessoas que se ocupam com o Espiritismo, é o de poderem entrar, elas mesmas, em comunicação com os Espíritos; é para lhes aplainar o caminho que esta obra está destinada, em as fazendo aproveitar o fruto dos nossos longos e laboriosos estudos, porque far-se-ia uma idéia muito falsa pensando que, para ser perito nesta matéria, basta saber colocar os dedos sobre uma mesa para fazê-la girar, ou tomar do lápis para escrever.

Enganar-se-iam, igualmente, quem cresse encontrar, nesta obra, uma receita universal e infalível para formar médiuns. Conquanto cada  um encerre em si mesmo o germe das qualidades necessárias para tornar-se médium, essas qualidades não existem senão em graus muito diferentes, e seu   desenvolvimento   provém de causas que não dependem de ninguém fazê-las nascer à vontade. As regras da poesia, da pintura e da música não fazem nem poetas, nem pintores e nem músicos daqueles que não lhes têm o gênio: elas guiam no emprego de faculdades naturais.