O LIVRO DOS MÉDIUNS - INTRODUÇÃO 460

Ocorre o mesmo com o nosso trabalho; seu objetivo é indicar os meios de desenvolver a faculdade medianímica tanto quanto o permitam as disposições de cada um, e, sobretudo, dirigir-lhe o emprego de maneira útil quando a faculdade existe. Mas nisso não está a finalidade única a que nos propusemos.

Ao lado dos médiuns propriamente ditos, há a multidão, que aumenta todos os dias, de pessoas que se ocupam com as manifestações espíritas; guiá-las em suas observações, assinalar-lhes os escolhos que podem e devem, necessariamente, encontrar em uma coisa nova, iniciá-las na maneira de conversar com os Espíritos, indicar-lhes os meios de terem boas comunicações, tal é o círculo que devemos abranger, sob pena de fazermos uma coisa incompleta. Não será, pois, surpreendente encontrar em nosso trabalho informações que, à primeira vista, poderiam parecer-lhe estranha: a experiência mostrará sua utilidade. Depois de havê-lo estudado com cuidado, compreender-se-á melhor os fatos que se vier a testemunhar; a linguagem de certos Espíritos parecerá menos estranha. Como instrução prática, não se dirige, pois, exclusivamente aos médiuns, mas a todos aqueles que são capazes de ver e de observar os fenômenos espíritas.

Algumas pessoas teriam desejado que publicássemos um manual prático muito sucinto, contendo em poucas palavras a indicação dos procedimentos a seguir para entrar em comunicação com os Espíritos; elas pensam que um livro dessa natureza, podendo, pela modicidade do seu preço, ser distribuído em profusão, seria um meio poderoso de propaganda, em multiplicando os médiuns; quanto a nós, veríamos uma tal obra, como mais nociva do que útil, ao menos no momento. A prática do Espiritismo está cercada de muitas dificuldades, e não está sempre isenta de inconvenientes que só um estudo sério e completo pode prevenir. Seria, pois, de temer que uma indicação, muito sucinta, provocasse experiências feitas com leviandade, e das quais se poderia ter motivo para  arrependimento; estas são coisas com as quais não é nem conveniente, nem prudente brincar, e   creríamos  prestar um mau  serviço colocando-as à disposição do primeiro estouvado que encontrasse prazer