O LIVRO DOS MÉDIUNS - PRIMEIRA PARTE - CAPÍTULO I 466

razão?   De  modo  algum;  tudo  nos  diz,  ao contrário, que não pode ser de outra forma. Mas, então,  em  que  se  tornam as penas e as recompensas futuras, se lhes tirais os lugares especiais? Notai que  a   incredulidade,   com   respeito  a  essas penas   e  recompensas,  está  geralmente provocada porque se as apresenta   em condições  inadmissíveis; mas  dizei,  em   lugar  disso,  que as almas  tiram   sua felicidade ou sua infelicidade  de  si  mesmas;  que  sua sorte está  subordinada   ao  seu  estado moral e que a reunião das  almas  simpáticas  e   boas  é uma fonte de felicidade; que, segundo seu  grau   de  depuração,  penetram  e  entrevêem as  coisas  que  se  apagam  diante das  almas grosseiras, e todo mundo o compreenderá sem dificuldade; dizei  ainda  que  as  almas  não  chegam  ao  grau supremo senão pelos  esforços que fazem por  se  melhorarem  e depois  de uma  série  de  provas  que se  prestam  à  sua depuração; que os  anjos são as almas que alcançaram  o último  degrau, o qual todos   podem  atingir  com a  boa vontade;  que os anjos  são  os  mensageiros  de  Deus, encarregados  de  velar   pela  execução  dos  seus  desígnios em  todo o Universo, que  são  felizes com suas missões gloriosas, e dareis à sua felicidade um  fim  mais  útil  e  mais atraente  do que aquele  de  uma   contemplação   perpétua, que  não  seria outra  coisa  senão  uma  inutilidade   perpétua; dizei,  enfim, que  os  demônios  não  são  senão as almas dos maus  ainda  não  depurados, mas que podem chegar  a ser como  as   outras, e isso parecerá mais conforme a  justiça e  a  bondade  de  Deus  do que  a doutrina de   seres  criados  para   o  mal  e  perpetuamente  devotados ao  mal. Ainda uma vez, eis aí   o  que  a  razão  mais  severa,  a  lógica mais   rigorosa, o bom-senso,  em  uma palavra, podem admitir.

Ora, essas almas que povoam o espaço são precisamente o que se chamam Espíritos; os Espíritos não são, pois, outra   coisa    senão   as   almas   dos   homens  despojadas do seu envoltório corporal. Se os Espíritos fossem seres  à parte,  sua  existência  seria   hipotética; mas se  se admite que há almas, é preciso também admitir os Espíritos que não são senão  as almas; se se admite que as almas estão por toda parte, é preciso admitir igualmente que os  Espíritos