O LIVRO DOS MÉDIUNS - PRIMEIRA PARTE - CAPÍTULO I 467

estão por  toda a parte. Não se poderia, pois, negar a existência dos Espíritos sem negar a das almas.

3. Isso,  é  verdade,  não  é  senão uma teoria mais racional  do  que  a  outra;   mas   já  é  muito  que  uma  teoria não contradiga  nem  a razão  nem  a  ciência;  se, além do mais, ela  está  corroborada  pelos  fatos, tem  para  si  a sanção  do  raciocínio  e  da  experiência.  Esses fatos, nós os  encontramos  no  fenômeno  das   manifestações  espíritas, que são, assim, a prova patente da existência e da sobrevivência da alma.  Mas,  entre  muitas  pessoas,  aí  se detém   a   crença;  admitem  bem  a  existência  da  alma  e por  conseguinte  a  dos  Espíritos,  mas negam  a   possibilidade  de  se  comunicar  com  eles,  pela   razão, dizem, de que  seres  imateriais  não  podem  agir  sobre  a   matéria. Essa  dúvida está  fundada  na  ignorância  da  verdadeira natureza  dos Espíritos,  da  qual se  faz,  geralmente, uma idéia  muito  falsa, porque são  imaginados  erradamente como  seres  abstratos,   vagos  e  indefinidos,  o   que  não são.

Imaginemos primeiro o Espírito em sua união com o corpo; o Espírito é o ser principal, já que é o ser pensante  e sobrevivente;  o corpo, pois, não é  senão um acessório do Espírito, um envoltório, uma veste que ele deixa quando está estragada. Além desse envoltório material, o Espírito tem um segundo, semi-material, que o une ao primeiro; na morte, o Espírito se despoja deste, mas não do segundo  ao qual damos o nome de perispírito. Esse envoltório semi-material, que afeta a forma humana, constitui para  ele  um  corpo fluídico, vaporoso, mas que, por nos ser invisível em seu estado normal, não deixa de possuir algumas  das  propriedades  da matéria. O Espírito não é, pois, um ponto, uma abstração, mas um ser limitado e circunscrito, ao qual não falta senão ser visível e palpável para se assemelhar aos seres humanos. Por que, pois, não agiria sobre a matéria? Por que seu corpo é fluídico? Mas não é entre os fluidos, os mais rarefeitos, aqueles que se consideram  como  imponderáveis,  a  eletricidade  por  exemplo,  que  o homem acha seus mais poderosos motores? É que  a  luz  imponderável  não exerce uma ação química sobre  a  matéria ponderável? Nós não conhecemos a natu-