O LIVRO DOS MÉDIUNS - PRIMEIRA PARTE - CAPÍTULO I 468

reza íntima do perispírito; mas supondo-o formado de matéria elétrica, ou outra tão sutil, por que não teria a mesma  propriedade  estando   dirigido  por  uma  vontade?

4. A existência da alma e a de Deus, que são a conseqüência uma da outra, sendo a base de todo o edifício, antes de iniciar alguma discussão espírita, importa se assegurar de que o interlocutor admite esta base. Se a estas questões:

Credes em Deus?

Credes ter uma alma?

Credes na sobrevivência da alma após a morte? – ele responde negativamente, ou mesmo se diz simplesmente: Eu não sei, gostaria que fosse assim, mas não estou seguro disso, o que, o mais freqüentemente equivale a uma negação polida, disfarçada sob uma forma menos cortante para evitar ferir, muito bruscamente, o que ele chama de preconceitos respeitáveis; seria tão inútil ir além quanto tentar demonstrar as propriedades da luz a um cego que não admitisse a luz; porque, em definitivo, as manifestações espíritas não são outra coisa senão os efeitos das propriedades da alma; com estas há uma ordem diferente de idéias a seguir, se não se quer perder tempo.

Se  a  base  está  admitida, não a título de probabilidade,  mas como coisa averiguada, incontestável, a existência dos Espíritos dela  decorre  muito  naturalmente.

5. Resta  agora  a  questão   de  saber  se o Espírito pode  se  comunicar  com o homem, quer dizer, se pode trocar  pensamentos  com  ele.  E por que não? O que é o homem  senão   um  Espírito  aprisionado em um corpo? Por que  o Espírito livre  não  poderia  se  comunicar   com   o  Espírito  cativo,  como  o  homem  livre  com o que está aprisionado? Desde que admitais a sobrevivência da alma, é racional   não  admitir  a  sobrevivência  das afeições? Uma vez  que  as  almas  estão  por  toda parte, não é natural pensar que a de um ser que nos amou durante a vida venha para perto de nós, que deseja se comunicar conosco e que se sirva, para issso, dos meios que estão à sua disposição?