O LIVRO DOS MÉDIUNS - PRIMEIRA PARTE - CAPÍTULO II 471

CAPÍTULO II

O MARAVILHOSO E O SOBRENATURAL

7. Se  a  crença  nos Espíritos e em suas manifestações  fosse  uma concepção isolada, o produto de um sistema,  poderia,  com   alguma aparência de razão, ser suspeita de ilusão: mas que se nos diga, ainda, por que é encontrada  tão  viva  em  todos os povos, antigos e modernos, nos livros santos de todas as religiões conhecidas? Dizem alguns críticos, que é porque, em todos os tempos, o homem amou o maravilhoso. O que é, pois, o maravilhoso segundo vós? – O que é sobrenatural? – Que entendeis por sobrenatural? – O que é contrário às leis da Natureza? – Conheceis, pois, tão bem essas leis que vos é possível assinalar um limite ao poder de Deus? Pois bem! Então provai  que  a  existência  dos  Espíritos e suas manifestações  são  contrárias  às  leis  da  Natureza;  que  não  é, nem pode  ser,  uma  dessas  leis.  Segui a Doutrina Espírita, e vede se  esse  encadeamento  não  tem todos os caracteres de uma admirável  lei, que resolve tudo  o que  as leis filosóficas não   puderam resolver até este dia. O pensamento é   um dos atributos do Espírito; a possibilidade de agir sobre a matéria, de impressionar nossos sentidos e, por conseguinte, transmitir seu pensamento, resulta, se podemos nos  exprimir  assim, da sua constituição fisiológica: portanto, não  há  nesse  fato  nada   de sobrenatural, nada de  maravilhoso.  Que  um  homem morto, e bem morto, reviva  corporalmente,  que  seus  membros dispersos se reúnam para reformar seu corpo, eis o maravilhoso, o sobrenatural,  o  fantástico;  estaria  aí  uma  verdadeira  der-