O LIVRO DOS MÉDIUNS - PRIMEIRA PARTE - CAPÍTULO II 476

deter na superfície, não são preciso horas, mas meses e anos para sondar-lhe todos os arcanos. Que se julgue, por aí, o grau do saber e do valor da opinião daqueles que se arrogam o direito de julgar, porque viram uma ou duas experiências, o mais freqüentemente, à guisa de distração e de passatempo. Eles dirão, sem dúvida, que não têm tempo disponível para dar todo o tempo necessário a esse estudo; seja, nada os constrange a isso; mas, então, quando não se tem tempo para aprender uma coisa, não se ocupe em falar sobre ela, menos ainda em julgá-la, se não quiser ser acusado de leviandade; ora, quanto mais se ocupa uma posição elevada na ciência, menos se é desculpável por tratar levianamente um assunto que não se conhece.

14. Nós nos resumimos nas proposições seguintes:

1º Todos os fenômenos espíritas têm por princípio a existência da alma, sua sobrevivência ao corpo e suas manifestações;

2º Estando esses fenômenos fundados sobre uma lei da Natureza, não têm nada de maravilhoso nem de sobrenatural, no sentido vulgar dessas palavras;

3º Muitos fatos não são reputados sobrenaturais senão porque não se lhes conhece a causa; indicando-lhes o Espiritismo uma causa, os faz entrar no domínio dos fenômenos naturais;

4º Entre os fatos qualificados de sobrenaturais, há muitos que o Espiritismo demonstra a impossibilidade, e classifica entre as crenças supersticiosas;

5º Conquanto o Espiritismo reconheça em muitas crenças populares um fundo de verdade, não aceita, de nenhum modo, a solidariedade de todas as histórias fantásticas criadas pela imaginação;

6º Julgar o Espiritismo pelos fatos que ele não admite, é provar ignorância e tirar todo valor à sua opinião;

7º A  explicação  dos  fatos  admitidos  pelo  Espiritismo,  suas  causas  e   suas  conseqüências  morais,  constituem  toda  uma  ciência  e   toda  uma  filosofia, que requerem  um  estudo  sério, perseverante  e  aprofundado;