O LIVRO DOS MÉDIUNS - PRIMEIRA PARTE - CAPÍTULO II 477

8º O Espiritismo  não pode considerar como crítico sério senão aquele que tiver visto tudo, estudado tudo, aprofundado  tudo,  com  a  paciência  e  a  perseverança de um  observador  consciencioso; que soubesse sobre o assunto  quanto  o  adepto  mais  esclarecido; que tivesse, por   conseguinte,  haurido seus conhecimentos em outro lugar  do  que nos romances da ciência; a quem não se pudesse  opor  nenhum  fato do qual não tivesse conhecimento, nenhum argumento que não tivesse meditado; que refutasse, não por negação, mas por outros argumentos mais peremptórios; que pudesse, enfim, assinalar uma causa mais lógica para os fatos averiguados. Esse crítico está ainda por se encontrar.

15. Pronunciamos, a toda a hora, a palavra milagre; uma curta observação a seu respeito não estará deslocada neste capítulo sobre o maravilhoso.

Em sua acepção primitiva, e por sua etmologia, a palavra  milagre significa coisa  extraordinária,  coisa  admirável  a  ver;  mas  esta palavra, como tantas outras, fugiu ao seu sentido original, e hoje se diz (segundo a Academia) de um ato do poder divino contrário às leis comuns da Natureza. Tal é, com efeito, sua acepção usual, e não é senão por comparação  e  por metáfora que se a aplica às coisas vulgares que nos surpreendem e cuja causa é  desconhecida. Não entra, de nenhum modo, em nossos objetivos, examinar se Deus pôde julgar útil, em certas circunstâncias, derrogar  as  leis  estabelecidas por Ele mesmo; nosso objetivo é unicamente demonstrar que os fenômenos espíritas, por extraordinários que sejam, não derrogam de nenhum modo essas leis, não têm nenhum caráter miraculoso, nem são maravilhosos ou sobrenaturais. O milagre não se explica;  os  fenômenos espíritas , ao contrário, se explicam da maneira  mais   racional;   não   são  milagres,  mas  simples efeitos que têm sua razão de ser nas leis gerais. O milagre  tem  ainda um outro caráter: o de ser insólito e isolado. Ora,  desde o momento em que um fato se reproduz, por assim dizer,  à  vontade,  e  por  diversas  pessoas,  não  pode ser um milagre.

Todos  os  dias  a Ciência faz milagres aos olhos dos ignorantes;  eis  porque  outrora  aqueles que sabiam mais do