O LIVRO DOS MÉDIUNS - PRIMEIRA PARTE - CAPÍTULO II 478

que   o  vulgo  passavam  por   feiticeiros; e, como se acreditava que toda ciência sobre-humana vinha do diabo, eram queimados. Hoje, quando se está muito mais civilizado, contentam-se em mandá-los ao hospício.

Que um homem realmente morto, como dissemos desde  o   princípio,  seja chamado à vida por uma intervenção  divina,  eis  aí um verdadeiro milagre, porque é  contrário  às   leis  da   Natureza.  Mas  se esse  homem não  tem  senão  as  aparências  da  morte, se há um resto de vitalidade   latente,  e que a ciência, ou uma ação magnética, chega a reanimar, para  as  pessoas  esclarecidas é um fenômeno   natural;  mas,  aos  olhos  do  vulgo ignorante, o fato  passará por  miraculoso,  e  o  autor  será perseguido  a pedradas   ou  venerado,   segundo  o  caráter dos  indivíduos. Que,   no  meio   de  certos  campos,  um físico  lance  um papagaio  elétrico  e  faça  o  raio cair sobre uma árvore, e esse   novo  Prometeu será, certamente, olhado  como  armado   de   um  poder  diabólico;  e,  diga-se de passagem, Prometeu  nos  parece  singularmente  ter precedido   Franklin;   mas  Josué,  detendo   o   movimento do  Sol,  ou  antes da Terra, eis o verdadeiro milagre, pois não conhecemos nenhum magnetizador dotado de tão grande  poder para operar   tal  prodígio.  De  todos os fenômenos espíritas, um dos  mais  extraordinários, sem contradita,  é o da escrita direta, e um daqueles que demonstram da maneira mais  patente   a   ação  das  inteligências ocultas;   mas  o fato de que o fenômeno é produzido por seres ocultos, não é  mais   miraculoso  do  que todos os outros fenômenos que são devidos  a  agentes  invisíveis,  porque esses  seres ocultos  que   povoam  os  espaços,  são  uma das  forças  da  Natureza,  força  cuja  ação  é  incessante sobre o mundo material, do mesmo modo que sobre o mundo moral.

O Espiritismo, em nos esclarecendo sobre essa força, nos dá a chave de uma multidão de coisas inexplicadas e inexplicáveis  por  todo outro meio, e que puderam, nos tempos  recuados,  passar  por  prodígios;   revela,   da mesma  forma  que o magnetismo,   uma   lei, senão desconhecida, pelo  menos  mal   compreendida,   ou,  melhor  dizendo, conheciam-se os efeitos, porque se produziram em todos