O LIVRO DOS MÉDIUNS - PRIMEIRA PARTE - CAPÍTULO II 479

os  tempos,  mas não se conhecia a lei, e foi a ignorância dessa  lei que  engendrou  a  superstição.  Conhecida  a  lei, o  maravilhoso  desaparece  e  os fenômenos entram na ordem  das  coisas  naturais.  Eis por que os espíritas não fazem mais milagre fazendo girar uma mesa, ou os mortos escrevendo,  do  que  o  médico  fazendo  reviver  um  moribundo, ou um físico fazendo cair o raio. Aquele que pretendesse,  com  a  ajuda  da  ciência,  fazer  milagres,  seria  ou um  ignorante  do  assunto ou  um farsante.

16. Os   fenômenos   espíritas,  da  mesma  forma  que os fenômenos magnéticos, antes que se lhes conhecesse a causa,   passaram   por  prodígios;  ora,   como os cépticos, os espíritos fortes, quer  dizer,  aqueles  que  têm o  privilégio  exclusivo  da  razão  e  do bom-senso, não crêem que uma   coisa   seja   possível  desde   que não a compreendem,  eis  porque   todos os  fatos  reputados  prodigiosos são objeto de suas zombarias; e como a religião contém um grande número  de  fatos  desse  gênero,  não crêem na religião,  e daí  à  incredulidade   absoluta   não  há   senão um passo. O Espiritismo,  explicando  a  maioria   desses fatos, lhes  dá  uma  razão de ser. Ele vem, pois, em ajuda da religião, demonstrando   a   possibilidade  de  certos  fatos que, por não terem mais  o  caráter   miraculoso,   não  são menos  extraordinários,   e   Deus   não   é  menos grande, nem  menos  poderoso,  por  não  ter  derrogado  suas  leis. De quantas zombarias  as   levitações  de  São  Cupertino foram objeto!   Ora,  a  suspensão  etérea   dos  corpos graves  é  um  fato  explicado  pela   lei  espírita;  disso  fomos pessoalmente testemunhas ocular,  e  o  Sr.  Home, assim como outras pessoas  do  nosso   conhecimento,  repetiram muitas  vezes   o   fenômeno  produzido   por  São   Cupertino. Portanto,  esse  fenômeno  entra  na ordem  das  coisas  naturais.

17. No número dos fatos desse gênero, é preciso colocar  em  primeiro  lugar   as  aparições, porque são os mais  freqüentes . A da Salette, que divide mesmo o clero, para nós não tem nada de insólita. Seguramente, não podemos afirmar  que  o  fato  ocorreu, porque dele não temos a prova material; mas, para nós, ele é possível, visto que milhares de fatos análogos recentes nos são conhecidos. Cremos