O LIVRO DOS ESPÍRITOS - INTRODUÇÃO 48

altas questões de filosofia, de moral, de metafísica, de psicologia, etc., e isto com tanta rapidez como se o fosse escrito com a mão.

Esse conselho foi dado simultaneamente na América, na França e em diversos países. Eis os termos pelos quais ele foi dado em Paris, a 10 de junho de 1853, a um dos mais ardentes adeptos da doutrina que, já há vários anos, desde 1849, se ocupava com a evocação dos Espíritos: "Vá pegar no quarto ao lado, o pequeno cesto; prenda nele um lápis; coloque-o sobre um papel; coloque os dedos sobre a borda". Alguns instantes depois o cesto se pôs em movimento e o lápis escreveu, muito visivelmente, esta frase: "O que vos  digo aqui, eu vos proíbo expressamente de o dizer a alguém: a próxima vez que escrever, escreverei melhor."

O objeto ao qual se adapta o lápis, não sendo senão um instrumento, sua natureza e sua forma são completamente indiferentes; procurou-se sua mais cômoda disposição; é assim que, muitas pessoas, fazem uso de uma pequena prancheta.

O cesto, ou a prancheta, não pode ser posto em movimento senão sob a influência de certas pessoas dotadas, a esse respeito, de uma força especial e que são designadas com o nome de médiuns, quer dizer, meios, ou intermediários entre os Espíritos e os homens. As condições que dão essa força especial prendem-se a causas ao mesmo tempo físicas e morais, ainda imperfeitamente conhecidas, porque são encontrados médiuns de todas as idades, de ambos os sexos e em todos os graus de desenvolvimento intelectual. Essa faculdade, de resto, se desenvolve pelo exercício.

V

Mais tarde se reconheceu que o cesto e a prancheta, na realidade, não formavam senão um apêndice da mão, e o médium, tomando diretamente o lápis, se pôs a escrever por um impulso involuntário e quase febril. Por esse meio, as comunicações tornaram-se mais rápidas, mais fáceis e mais completas. É hoje o mais difundido, tanto mais que o número de pessoas dotadas dessa aptidão é muito considerável e se multiplica todos os dias. A experiência, enfim, fez conhecer várias outras variedades na faculdade medianímica, e soube-se que as comunicações poderiam igualmente ter lugar pela palavra, pelo ouvido, pela vista, pelo tato, etc. e mesmo pela escrita direta dos Espíritos, quer dizer, sem o concurso da mão do médium, nem do lápis.

Obtido o fato, um ponto essencial ficava a constatar: o papel do médium nas respostas e a parte que ele pode nelas tomar, mecânica e moralmente. Duas circunstâncias capitais, que não poderiam escapar a um observador atento, podem resolver a ques-