O LIVRO DOS MÉDIUNS - PRIMEIRA PARTE - CAPÍTULO III 487

ta: são os verdadeiros espíritas, ou melhor, os espíritas cristãos.

4º Há enfim, os espíritas exaltados. A espécie humana  seria  perfeita  se  não  tomasse  sempre senão o lado bom  das coisas. O exagero é nocivo em tudo; em Espiritismo,  dá  uma  confiança  muito  cega   e, freqüentemente, pueril  nas  coisas  do  mundo  invisível,  e  leva  a  aceitar, muito  facilmente  e  sem  controle,  o  que  a reflexão e o exame  demonstrariam  a  absurdidade  ou  a impossibilidade;   mas o  entusiasmo  não  reflete, deslumbra. Esta espécie de adepto é mais nociva do que útil à causa do Espiritismo;   são  os menos apropriados a convencer, porque desconfia-se, com razão, do seu julgamento; são enganados de boa-fé, seja por Espíritos mistificadores, seja   por  homens que  procuram explorar sua credulidade. Se devessem suportar sozinhos as conseqüências, não haveria  senão  meio-mal;  o  pior  é que dão, sem o quererem,  armas aos incrédulos que procuram antes as ocasiões de  zombar  do  que  se  convencer,  e  não  deixam de imputar a todos o ridículo de alguns. Isso, sem dúvida, não é justo nem racional; mas, sabe-se, os adversários do Espiritismo não reconhecem senão sua razão como sendo de bom quilate, e conhecer a fundo aquilo do que falam é o menor dos seus cuidados.

29. Os meios de convicção variam extremamente segundo os indivíduos; o que persuade alguns, não produz nada nos outros; tal é convencido por certas manifestações materiais, tal outro por comunicações inteligentes, a maioria pelo raciocínio.

Podemos  mesmo  dizer que, para a maioria dos que não estão preparados para o raciocínio, os fenômenos materiais  são  de  pouco  peso; quanto  mais esses fenômenos são  extraordinários,  e  mais  se afastam das leis conhecidas,  mais  encontram  oposição,  e  isso  por  uma razão muito simples: a de ser naturalmente levado a duvidar de uma  coisa  que não tem sanção racional; cada um a encara sob seu ponto de vista e se explica à sua maneira: o materialista nela vê uma causa puramente física ou uma fraude; o ignorante e o supersticioso uma causa diabólica