O LIVRO DOS MÉDIUNS - PRIMEIRA PARTE - CAPÍTULO III 488

ou  sobrenatural,  ao  passo  que  uma  explicação   preliminar tem por efeito subtrair as idéias preconcebidas e mostrar, senão a realidade, pelo menos a possibilidade da coisa; compreende-se antes de a ter visto; ora, desde o momento  em  que  a possibilidade está reconhecida, a convicção tem três quartas partes feitas.

30. É útil procurar convencer um incrédulo obstinado? Dissemos  que   isso  depende das causas e da natureza da sua   incredulidade;  freqüentemente,  a  insistência  que se põe  em persuadi-lo, leva-o a crer em sua importância pessoal,  o  que lhe é uma razão para mais se obstinar. Aquele que  não  está convencido nem pelo raciocínio nem pelos fatos,  deve  suportar  ainda  a   prova da incredulidade; é preciso deixar à Providência o cuidado de lhe proporcionar  circunstâncias   mais favoráveis; muita gente não pede senão  receber a luz, para não perder seu tempo com aqueles que a recusam; dirigi-vos, pois, aos homens de boa vontade,  cujo  número  é  maior do que se crê, e seu exemplo, em se multiplicando, vencerá mais resistência do que  as  palavras.  O  verdadeiro  espírita  não  deixará  jamais  o  bem  por  fazer; corações aflitos a aliviar, consolações  a dar, desesperos a acalmar, reformas morais a operar, aí está sua missão; nisso também encontrará sua verdadeira   satisfação. O  Espiritismo  está  no  ar; se espalha pela força das coisas e porque torna feliz os que o professam. Quando seus adversários sistemáticos o ouvirem ressoar ao seu redor, mesmo  entre seus amigos, compreenderão  seu  isolamento e serão forçados ou a se calar ou a se render.

31. Para  se  proceder,  no  ensino do Espiritismo, como  se  o  faria nas ciências ordinárias, seria preciso passar em revista toda a série de fenômenos que podem se produzir, começando pelos mais simples e alcançando sucessivamente   os mais complicados; ora, é o que não se pode, porque seria impossível fazer um curso de Espiritismo experimental como se faz um curso de física e de química. Nas  ciências  naturais  opera-se  sobre  a  matéria  bruta  que se manipula à vontade, e se está quase certo de poder regular  seus  efeitos;  no  Espiritismo, trata-se com inteligências  que  têm sua  liberdade,  e nos provam a cada instante,