O LIVRO DOS MÉDIUNS - PRIMEIRA PARTE - CAPÍTULO IV 495

37. Na ordem metódica, para seguir a marcha progressiva   das idéias, convém colocar na frente aqueles que se podem chamar sistemas de negação, quer fizer, os dos adversários do Espiritismo. Refutamos suas objeções  na  introdução  e  na  conclusão de O Livro dos Espíritos,  assim  como  na  pequena  obra intitulada: O que é o Espiritismo?  Seria  supérfluo voltar a fazê-lo aqui; limitar-nos-emos  a  lembrar,  em  duas  palavras,  os motivos sobre os quais se fundam.

Os  fenômenos espíritas são de duas espécies: os efeitos  físicos  e   os efeitos   inteligentes.   Não   admitindo a existência dos Espíritos,   pela razão   que   não  admitem nada fora da matéria,   concebe-se  que   neguem  os  efeitos   inteligentes.  Quanto  aos efeitos físicos, eles os comentam  sob   seu  ponto de vista, e seus argumentos podem  se resumir nos quatro sistemas seguintes:

38. Sistema do charlatanismo. Entre os antagonistas, muitos  atribuem  esses  efeitos  à  fraude,  pela   razão   de que alguns  puderam  ser  imitados.  Essa  suposição transformaria  todos os espíritas em ingênuos, e todos os médiuns em fazedores  de  ingênuos,   sem considerar a posição, o caráter, o  saber  e a honorabilidade das pessoas. Se  merecesse   uma   resposta,   diríamos  que certos fenômenos da Física  são  também   imitados  pelos   prestidigitadores,  e que   isso nada  prova  contra  a  verdadeira  ciência.  Demais  disso,  há pessoas cujo caráter afasta toda suspeita de   fraude, e   é  preciso   desconhecer   as regras de  civilidade   e  de  urbanidade   para ousar dizer-lhes na face  que são cúmplices de   charlatanismo. Em um salão muito  respeitável,   um   senhor,  supostamente educado, tendo-se   permitido   uma reflexão  dessa   natureza, a dona da casa lhe  disse: "Senhor,  uma  vez  que  não  estais contente,  vosso   dinheiro   será   devolvido  à porta"; e com um   gesto   fê-lo   compreender   o que tinha de melhor a fazer.  Dir-se-á   por   isso  que nunca  houve abuso?  Seria preciso,   para   crê-lo,  admitir  que  os   homens são perfeitos.   Abusa-se de  tudo, mesmo das coisas mais santas; por   que   não se abusaria do   Espiritismo?   Mas   o  mau uso que se faz de uma coisa  não pode prejulgar nada con-