O LIVRO DOS MÉDIUNS - PRIMEIRA PARTE - CAPÍTULO IV 496

tra  a  própria  coisa;  o  controle  que  se  pode  ter   alcança a boa   fé das pessoas   e  os  motivos  que  as  fazem agir. Onde não há  especulação,  o  charlatanismo nada tem a fazer.

39. Sistema  da  loucura.   Alguns,   por condescendência, admitem afastar a suspeita de fraude e pretendem que aqueles que não fazem ingênuos são ingênuos eles mesmos: o que quer dizer que são imbecis. Quando os incrédulos nisso colocam menos formalidade, dizem muito simplesmente que se trata de loucura, atribuindo-se assim, sem  cerimônia,  o  privilégio   do   bom-senso. Esse é o grande  argumento daqueles  que   não   têm uma boa razão a opor.  De resto,   esse  modo de ataque se tornou ridículo por ser banal, e não merece que se perca tempo em refutá-lo. Os espíritas, aliás, pouco se importam com isso; tomam bravamente  seu   partido e se  consolam   pensando   que têm por companheiros de infortúnio muitas pessoas cujo mérito   não   poderia   ser   contestado.  É preciso, com efeito,   convir que   essa   loucura, se loucura há, tem um caráter  bem  singular, que é   o   de atingir de preferência a classe  esclarecida,  entre a  qual  o  Espiritismo   conta,   até o   presente, a   imensa maioria dos   seus   adeptos. Se, entre eles, encontram-se  algumas   excentricidades,  não provam  mais contra a Doutrina do que os loucos religiosos não provam contra a religião; os melomaníacos contra a música; os  maníacos  matemáticos  contra as  matemáticas. Todas as   idéias  encontraram   fanáticos  exagerados, e seria preciso   ser   dotado de um juízo bem obtuso para confundir a   exageração  de uma coisa com a própria  coisa. Remetemos, para mais amplas explicações a respeito, à nossa brochura: O Que é o Espiritismo? e O Livro dos Espíritos   (Introdução, 15).

40. Sistema da alucinação. Uma outra opinião menos ofensiva, na qual há uma pequena coloração científica, consiste em colocar os fenômenos à conta de ilusão dos sentidos; assim, o observador estaria de muito boa-fé; somente, creria ver o  que  não  vê. Quando vê uma mesa se elevar  e   se manter no espaço sem ponto de apoio, a mesa não  teria  se  mexido  do   lugar;  ele   a vê no ar por uma espé-