O LIVRO DOS MÉDIUNS - PRIMEIRA PARTE - CAPÍTULO IV 498

mistificação ou de uma ilusão. O fato não é novo em si mesmo;  infelizmente, para o autor dessa pretensa descoberta, sua teoria não explica todos os casos. Dizemos, primeiro,  que aqueles que gozam de singular faculdade de fazer estalar, à vontade, seu músculo curto-perônio, ou qualquer  outro,  e  de  tocar  árias por esse meio, são pessoas excepcionais; enquanto que a de fazer bater as mesas é muito comum, e aqueles que a possuem não desfrutam todos da primeira. Em segundo lugar, o sábio doutor  esqueceu de explicar de que forma o estalido muscular de  uma pessoa imóvel e isolada da mesa, pode nela  produzir  vibrações  sensíveis ao toque; como esse ruído pode repercutir, à vontade dos assistentes, nas diferentes   partes   da mesa, nos outros móveis, nas paredes, no forro, etc; como enfim, a ação desse músculo pode se estender  a  uma  mesa, que não se toca, e fazê-la mover. Essa   explicação, de resto, se fosse uma, não infirmaria senão   os  fenômenos  das   pancadas  não podendo referir-se  a  todos os outros modos  de   comunicação.   Concluímos que   ele   julgou sem ter  visto,  ou   sem ter visto tudo, e bem visto. É  sempre lamentável  que homens de ciência se apressem em dar, sobre  o  que  não  conhecem, explicações que os fatos podem   desmentir. Seu próprio saber deveria torná-los tanto mais  circunspectos em seus  julgamentos, quanto mais recuam para eles os limites do desconhecido.

42. Sistemas das causas físicas. Aqui saímos do sistema da negação absoluta. A realidade dos fenômenos estando averiguada, o primeiro pensamento que veio naturalmente   ao   espírito daqueles que os reconheceram, foi o de atribuir os movimentos, ao magnetismo, à  eletricidade, ou à ação de um fluido qualquer, em uma palavra, a uma causa  toda  física  e   material.  Essa opinião não teria nada de  irracional  e   teria   prevalecido se o fenômeno tivesse se limitado aos efeitos puramente mecânicos. Uma circunstância  parecia   mesmo   corroborá-la: era, em certos casos, o  aumento da   força   em  razão   do número de pessoas; cada  uma delas, assim,  poderia  ser  considerada   como um dos   elementos  de uma pilha elétrica humana. O que caracteriza   uma   teoria   verdadeira, já o  dissemos, é poder