O LIVRO DOS MÉDIUNS - PRIMEIRA PARTE - CAPÍTULO IV 499

explicar  tudo:  mas,  que  se  um  só  fato vem contradizê-la, é   porque  é   falsa, incompleta ou muito absoluta. Ora, foi o que não tardou a ocorrer aqui. Esses movimentos e esses golpes deram  sinais  inteligentes, obedecendo  a   vontade e   respondendo  ao pensamento; deviam ter, pois, uma causa inteligente. Desde que o efeito cessou de ser puramente físico, a causa, por isso mesmo, deveria ter uma outra fonte; também o sistema da ação exclusiva de um agente material foi abandonado e não se o encontra senão entre aqueles que julgam a priori e sem terem visto. O ponto capital,   portanto, está em constatar a ação inteligente, na qual pode se convencer quem quiser se dar ao trabalho de observar.

43. Sistema do reflexo. A ação inteligente, uma vez reconhecida, restava saber qual era a fonte dessa inteligência. Pensou-se que poderia ser a do médium ou dos assistentes, que se refletiam como a luz ou os raios sonoros. Isso era possível: só a experiência poderia dizer a última palavra. Mas, primeiro, notemos que esse sistema já se afasta completamente da idéia puramente materialista; para que a inteligência  dos assistentes pudesse se reproduzir por via indireta, era necessário admitir, no homem, um princípio fora do organismo.

Se o pensamento manifestado tivesse sido sempre o dos assistentes, a teoria  da   reflexão  teria sido confirmada; ora, o fenômeno, mesmo reduzido a esta proporção, não era do mais alto interesse? O pensamento, repercutindo   em um corpo inerte e se traduzindo pelo movimento e pelo  ruído, não era uma coisa bem notável?  Não   havia aí o   que   excitar  a curiosidade dos sábios? Por que, pois, o desdenharam, eles que se cansaram à procura de uma fibra nervosa?

Só a experiência, dissemos, podia negar ou dar razão a essa teoria, e a experiência a negou, porque demonstra a cada instante, e por fatos os mais positivos, que o pensamento   manifestado  pode ser não somente estranho ao dos assistentes, mas, freqüentemente, lhe é inteiramente   contrário; que vem  contraditar  todas as idéias pre-