O LIVRO DOS MÉDIUNS - PRIMEIRA PARTE - CAPÍTULO IV 500

concebidas, frustrar todas as previsões; com efeito, quando penso branco e me responde preto, me é difícil crer que a resposta vem de mim. Apóie-se em alguns casos de identidade entre o pensamento manifestado e o dos assistentes; mas  o  que isso prova senão que os assistentes podem pensar como a  inteligência  que se comunica?  Não se disse  que  devem ser sempre de opinião oposta. Quando, na conversação,  o  interlocutor emite um pensamento análogo ao   vosso, direis, por isso, que ele veio de vós? Bastam alguns   exemplos contrários bem constatados para provar que  essa  teoria  não pode  ser absoluta.   De  que forma, aliás, explicar, pela reflexão do pensamento, a escrita produzida por pessoas que não sabem escrever, as respostas da mais alta importância filosófica obtidas por pessoas   iletradas, as que são dadas a perguntas mentais ou numa  língua  desconhecida  do   médium, e milhares de outros   fatos que  não   deixam   dúvida  sobre a independência da   inteligência   que se manifesta? A opinião contrária  não   pode  ser senão   o   resultado  de  um   defeito   de observação.

Se a presença de uma inteligência estranha está provada moralmente pela natureza das respostas, o está materialmente pelo fato da escrita direta, quer dizer, escrita  obtida espontaneamente, sem caneta nem lápis, sem contato, e não obstante todas as   precauções tomadas  para se garantir de todo subterfúgio. O caráter inteligente do fenômeno  não poderia ser posto em dúvida; portanto, há outra coisa além da ação fluídica. Demais disso, a espontaneidade  do  pensamento   manifestado   fora  de toda a expectativa,   de   toda   pergunta  proposta, não permite ver nele um reflexo  do  pensamento  dos  assistentes.

O sistema do reflexo é bastante descortês em certos casos; quando, em uma reunião de pessoas honestas, sobrevém, inopinadamente, uma dessas comunicações revoltantes de grosseria, isso seria fazer um muito mau juízo dos assistentes, pretendendo que ela provém de um deles, e é provável que cada um se apressaria em repudiá-la (Ver O Livro dos Espíritos, Introdução, 16.)

44.  Sistema  da   alma  coletiva.   É  uma  variante   do